Hospitalidade e sabor: o charme de Belo Horizonte
Belo Horizonte, sexta maior capital do Brasil com seus 2,4 milhões de habitantes, se destaca pela hospitalidade que marca seu povo e pela culinária que exala tradição e modernidade. A capital mineira traduz, em cada prato, a simplicidade das roças combinada com um tempero especial, que conquista moradores e visitantes.
Para quem aprecia bons tira-gostos e a atmosfera dos botecos, BH é referência mundial. A cidade carrega o título de capital dos botecos, respaldado pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), que confirmou a maior concentração de bares do país em sua área urbana. Não é exagero dizer que Minas é um convite para saborear e celebrar. Como dizem os próprios mineiros, “já que Minas não tem mar, bora para o bar!”.
Roteiro para três dias em Belo Horizonte: cultura e gastronomia
O roteiro para uma visita de três dias à capital começa pela Lagoa da Pampulha, onde o visitante pode desfrutar da paisagem que inclui os estádios Mineirão e Mineirinho. A região é marcada pelo Conjunto Moderno projetado por Oscar Niemeyer na década de 1940, a pedido de Juscelino Kubitschek, e pela Igrejinha da Pampulha, um cartão-postal da cidade reconhecido pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade.
Além da caminhada, o visitante pode alugar bicicletas ou patinetes para percorrer os 18 quilômetros da lagoa. Nos arredores, é possível se refrescar com um abacaxi gelado ou um caldo de cana.
Na hora de experimentar a culinária local, o Mercado Central é parada obrigatória. Com mais de 90 anos de história, abriga cerca de 400 lojas em corredores que formam um labirinto saboroso. Entre as opções, destacam-se o pão de queijo com pernil e queijo canastra do Comercial Sabiá, e o famoso fígado com jiló, servido no Bar da Tia, criador da receita, ou no Bar da Lora, que também oferece feijão-tropeiro com torresmo para o almoço. A sobremesa fica por conta da broa de fubá com café adoçado com rapadura na Roça Capital.
À noite, o Mercado Novo, revitalizado e aberto desde 1963, se transforma no ponto de encontro da juventude, com bares, cervejarias e restaurantes em três andares. Destaque para os drinques autorais, como os do Mascate, Lambe-Lambe, Cachaçaria Lamparina e Carimbó. Para petiscar, o Bentô Bolinhos oferece bolinhos de frango com quiabo. Quem quiser levar uma lembrança pode passar na loja Made in Beagá. O mercado fecha à meia-noite, mas o subsolo permanece animado com bares e música ao vivo até a madrugada.
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Imersão cultural e sabores autênticos no centro-sul
O segundo dia é dedicado à cultura na região da Praça da Liberdade, um dos espaços mais bonitos da capital. O complexo de museus inclui o CCBB BH, antiga sede da Secretaria do Interior do Estado, com programação variada em artes plásticas, cinema e música, e a Casa Fiat de Cultura, que recebe exposições itinerantes internacionais.
Outros pontos essenciais são o Museu das Minas e do Metal, que conta a história do estado por meio de pedras e minerais, e o Espaço do Conhecimento da UFMG, com planetário, terraço astronômico e exposições temáticas. A própria praça impressiona com suas palmeiras-imperiais, fontes, coreto e o Edifício Niemeyer, cartão-postal projetado em 1954.
Para o almoço, o restaurante Dona Lucinha oferece pratos típicos feitos no fogão a lenha, como frango com quiabo, costelinha com rapadura e ora-pro-nóbis, sempre acompanhados de um cafezinho passado.
À noite, o Nimbos Bar, eleito dono do melhor hambúrguer do Brasil em 2025, reúne público pela qualidade e descontração. O BBQ Bliss, campeão do Burger Fest, é a escolha certa. Para fechar o dia, o Redentor Bar serve chope e o famoso jabá porta-bandeira, combinação de carne-seca desfiada, cebola salteada e farinha amarela.
Domingo na Feira Hippie e redutos da boemia
Se a visita coincidir com um domingo, a Feira Hippie na avenida Afonso Pena é parada obrigatória. Considerada uma das maiores feiras de artesanato a céu aberto da América Latina, reúne cerca de 1.500 expositores com bolsas, roupas, comidas típicas e apresentações culturais como rodas de samba e dança charme.
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Em frente à feira, o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, inaugurado em 1897, oferece um refúgio verde com remanescentes de mata atlântica e cerrado, além de diversas espécies de animais.
O vizinho Palácio das Artes, maior complexo cultural de Minas Gerais, mantém programação diversa durante o ano e merece uma visita. Para o almoço, o Edifício Maletta é o destino ideal, com brechós, sebos e lojas de discos que compõem o clima nostálgico. Lá, a Cantina do Lucas é referência com seu filé à parmegiana, o bar Xok Xok serve petiscos tradicionais como pé de porco e torresmo, e o restaurante Feijão aposta nos pratos caseiros.
No fim da tarde, o bairro Santa Tereza, berço da boemia de BH, convida para uma caminhada até a Praça Duque de Caxias e o Bar do Orlando, o boteco mais antigo em atividade na cidade desde 1919. Samba, choro, cerveja gelada e petiscos como o trio mineiro completam a experiência para uma despedida inesquecível.
Um dia extra para o Instituto Inhotim
Quem dispõe de mais tempo pode explorar os arredores de BH, com destaque para o Instituto Inhotim, em Brumadinho, a cerca de 60 km da capital. O maior museu de arte contemporânea a céu aberto do mundo reúne mais de 2.000 obras de artistas nacionais e internacionais em jardins que fundem mata atlântica e cerrado.
Entre as atrações imperdíveis estão as galerias de Adriana Varejão, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Tunga, a instalação “Cosmococa” de Hélio Oiticica e Neville D’Almeida, além dos pavilhões de Yayoi Kusama. O acesso ao parque pode ser feito por transporte por aplicativo, carro ou ônibus de linha.
