Debate reúne candidatos para discutir desafios da Região Metropolitana de Belo Horizonte
Os candidatos ao governo de Minas Gerais participaram nesta quinta-feira (20) de um debate promovido pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel). O encontro focou em desafios e propostas para a região, que abrange 34 municípios e concentra cerca de 25% da população do Estado. Estiveram presentes Patrus Ananias (PT), Gabriel Azevedo (MDB), Mateus Simões (PSD), Flávio Roscoe (PL) e Túlio Lopes (PCB). O candidato Alexandre Kalil (PDT) foi convidado, mas não participou por estar em recuperação de uma cirurgia de transplante de córnea realizada na terça-feira. Ben Mendes (Missão) desmarcou a participação, e Cleitinho Azevedo (Republicanos) não respondeu ao convite, segundo a Granbel.
Propostas para integração regional e transporte metropolitano
Durante o debate, os candidatos foram questionados sobre planos para integração regional, transporte público metropolitano, melhorias em saúde, saneamento, água, energia, além do déficit habitacional e a situação da população em situação de rua. Flávio Roscoe destacou a situação fiscal do Estado como um obstáculo para investimentos e defendeu o aumento da geração de receita para destravar os recursos, especialmente para a Região Metropolitana. “Quando você analisa Minas Gerais, tem que ser prioritariamente na região metropolitana, porque temos aqui 25% da população. O recurso aqui vai impactar muito mais gente”, afirmou.
Gabriel Azevedo defendeu a criação de mecanismos de governança para integrar a Região Metropolitana de Belo Horizonte, incluindo o transporte público com um bilhete integrado. Ele ressaltou a necessidade de regionalizar também a saúde, evitando pressões na rede por conta do entorno. “Nós temos que fazer, sim, um grande consórcio metropolitano inteligente”, declarou.
Mateus Simões destacou a importância da integração do transporte e uniformização dos parâmetros para construção de moradias sociais. Citou um modelo desenvolvido em parceria com o Banco Mundial para o transporte metropolitano, que busca unificar a gestão entre o Estado e as prefeituras, facilitando o sistema de transbordo entre municípios. O candidato também apontou avanços recentes, como a extensão da Linha 1 do metrô, início das estações da Linha 2 e o plano do Rodoanel metropolitano.
Articulação entre municípios e papel do Estado
Patrus Ananias defendeu ações conjuntas entre municípios nas áreas de transporte, saúde, educação e desenvolvimento econômico, destacando que o governo estadual deve estabelecer diretrizes para políticas integradas. “Os municípios têm desafios comuns a enfrentar no transporte coletivo, na saúde, na educação e na área agrícola”, afirmou.
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Túlio Lopes propôs maior participação do Estado na gestão do transporte metropolitano, com a criação de uma empresa pública que una Estado e municípios para enfrentar os desafios da mobilidade urbana. “Defendo que o protagonismo deve ser do Estado na construção de alternativas para o transporte”, afirmou.
Saúde pública: integração de dados e expansão de serviços
Na área da saúde, Gabriel Azevedo defendeu a criação de um sistema integrado digital para dados dos pacientes do sistema público e o reforço em ações de prevenção. Patrus Ananias também ressaltou a importância da prevenção e do fortalecimento de parcerias com o Sistema Único de Saúde (SUS) para aprimorar o atendimento municipal.
Túlio Lopes destacou a necessidade de ampliar o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), que atende servidores públicos. Mateus Simões citou a construção de 14 unidades de pronto atendimento (UPAs) desde 2019 e o avanço no projeto de centralização de medicamentos pelo Estado. Destacou ainda a ampliação de leitos hospitalares em Divinópolis (250 leitos), Sete Lagoas (250 leitos) e Conselheiro Lafaiete (200 leitos), além da parceria público-privada para o Hospital Padre Eustáquio, com 550 leitos e investimento de R$ 2,4 bilhões.
Flávio Roscoe defendeu o aumento das parcerias com o setor privado para reduzir filas de espera por cirurgias e exames.
Serviços essenciais e privatizações em debate
Sobre serviços essenciais, Gabriel Azevedo, Túlio Lopes e Patrus Ananias afirmaram que não privatizarão a Cemig se eleitos. Flávio Roscoe afirmou que a eficiência do serviço é o que importa, independentemente do setor público ou privado. Lopes criticou a privatização da Copasa, classificando-a como “um equívoco estratégico” realizado sem referendo popular e vinculado a negociações da dívida pública com a União.
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Mateus Simões destacou que a venda da Copasa resultou em R$ 2,5 bilhões reservados para projetos de segurança na Região Metropolitana e ressaltou a importância da renovação dos contratos municipais com a empresa após a privatização.
Habitação e população em situação de rua
Em relação ao déficit habitacional e ao aumento da população em situação de rua, Flávio Roscoe defendeu a regularização de imóveis irregulares ou em áreas precárias. Gabriel Azevedo e Mateus Simões propuseram o adensamento de moradias próximas a estações de metrô, o que exige mudanças no plano diretor da capital. Também consideram o aluguel social uma medida para reduzir rapidamente o déficit habitacional.
Patrus Ananias enfatizou a necessidade de ampliar parcerias com o governo federal para expandir o programa Minha Casa, Minha Vida em Minas Gerais. Túlio Lopes defendeu o aumento da construção de moradias populares.
Prefeitos entregam carta com reivindicações
O presidente da Granbel e prefeito de Nova Lima, João Marcelo Dieguez (Cidadania), entregou aos candidatos uma carta contendo as demandas e propostas das prefeituras da Região Metropolitana. Dieguez avaliou o debate como positivo, destacando a ampla participação dos prefeitos e a oportunidade de avaliar quais candidatos apresentam compromissos concretos para o desenvolvimento da região.
