Operação Compliance Zero e o Envolvimento de Vorcaro
Na noite dessa quinta-feira, 5 de outubro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, decidiu transferir o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para um presídio de segurança máxima localizado em Brasília. Vorcaro atualmente se encontra detido em São Paulo.
O banqueiro permanecerá em regime de isolamento na Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo, por um período inicial de dez dias, em uma cela separada dos demais detentos. Durante essa fase, ele não terá acesso a atividades de estudo ou trabalho dentro da penitenciária.
Além de Vorcaro, seu cunhado, Fabiano Zettel, também foi transferido para a penitenciária de Potim, sendo este considerado suspeito de facilitar o fluxo financeiro do esquema bilionário de fraudes que está sendo investigado pela Polícia Federal.
A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira, 4, investiga uma série de crimes, incluindo ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos eletrônicos, todos ligados a uma organização criminosa. A autorização para as prisões foi concedida pelo ministro André Mendonça, que fundamentou sua decisão na descoberta de atividades criminosas e na existência de uma milícia privada que operava sob as ordens de Vorcaro, monitorando autoridades.
A decisão individual de Mendonça será revisitada no plenário virtual da Segunda Turma do STF na próxima semana, a partir do dia 13.
Investigações e Indícios de Corrupção
Informações coletadas pelo Banco Central (BC) foram cruciais para essa nova fase da operação. No início deste ano, em 8 de janeiro, o BC instaurou uma sindicância interna para investigar possíveis irregularidades relacionadas a dois de seus servidores, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. Ambos, que têm quase três décadas de serviço público no Banco Central, foram afastados assim que a sindicância foi iniciada. Esta investigação está programada para ser concluída na próxima semana.
Em seu despacho que autorizou a operação, o ministro Mendonça enfatizou a gravidade da atuação da organização criminosa: “A atuação da organização criminosa não é pueril. Ao contrário, eles são profissionais do crime que atuam de forma coordenada, captando servidores públicos de alto escalão e buscando influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento deste esquema criminoso multibilionário”.
Trocas de Mensagens Revelam Conexões Criminosas
Trocas de mensagens de Vorcaro estão sendo analisadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do INSS. A quebra de sigilo telefônico e telemático do banqueiro foi autorizada pela comissão em dezembro de 2025, mas o então relator do caso, ministro Dias Toffoli, decidiu que os dados ficassem sob a custódia da presidência do Senado. Em fevereiro, o novo relator, André Mendonça, permitiu o acesso da CPI às informações.
Em uma dessas mensagens, datada de 7 de abril de 2025, durante negociações entre o Banco de Brasília e o Banco Master, Vorcaro descreveu para sua então namorada, Marta Graeff, sua visão sobre o setor bancário: “Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia. Não dá pra sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal”. Essa frase ilustra bem a percepção do banqueiro sobre o ambiente em que opera.
Outra mensagem enviada a Graeff, em 29 de agosto, apenas cinco dias antes do veto do Banco Central à compra do Master pelo BRB, trouxe um tom mais estratégico: “Tô em Brasília com governador. Estamos aqui combinando estratégia de guerra. A partir de segunda iremos para o ataque”.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB, afirmou que todas as negociações referentes ao Banco Master foram conduzidas pelo então presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. Vale destacar que o BRB também está sob investigação pela Polícia Federal no âmbito do inquérito relacionado ao Banco Master.
