Crescimento dos casos de Mpox em Minas Gerais
Em Minas Gerais, o número de casos confirmados de mpox subiu para 17, conforme o boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) nesta quarta-feira (25/3). Os registros mais recentes ocorreram em Belo Horizonte, onde a maioria dos pacientes já apresentou evolução para a cura.
Dos 17 casos, a capital mineira concentra 11 confirmações, enquanto Contagem registrou três e Ribeirão das Neves um. Além disso, há notificações em Formiga, na região Centro-Oeste do estado, e Manhuaçu, na Zona da Mata. Todos os casos reportados até agora envolvem homens com idades variando entre 25 a 56 anos.
A SES-MG enfatiza seu compromisso com o monitoramento contínuo da situação epidemiológica e ressalta a importância de buscar informações confiáveis e adotar medidas preventivas para conter a disseminação da doença.
Entendendo a Mpox
A mpox, anteriormente conhecida como monkeypox, é uma infecção provocada pelo vírus do gênero Orthopoxvirus, a mesma família da varíola. De acordo com a infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana, os primeiros sintomas incluem febre, dor de cabeça, fadiga e aumento dos linfonodos. Em alguns casos, a infecção pode evoluir para a fase eruptiva, onde aparecem lesões cutâneas que começam como manchas avermelhadas, se transformam em vesículas e depois em crostas.
Essas lesões podem surgir em diversas partes do corpo, como rosto, região genital, palmas das mãos e pés. Casos mais graves podem levar a complicações neurológicas e oculares. Apesar de a mpox ser uma doença que já existe há décadas em países africanos, como a República Democrática do Congo, o surto global iniciado em 2022 trouxe nova atenção ao tema, conforme explica o infectologista Dyemison Pinheiro, especialista em saúde coletiva.
Transmissão e População em Risco
A transmissão da mpox ocorre principalmente por contato físico direto com as lesões antes da cicatrização. O período de incubação pode variar de alguns dias até três semanas. Pinheiro recomenda o isolamento até que todas as lesões estejam completamente cicatrizadas para prevenir a contaminação de outras pessoas.
A infecção pode ser transmitida mesmo por indivíduos assintomáticos ou antes do aparecimento de sintomas. O contato com fluidos corporais, como saliva e sangue, também facilita a transmissão, assim como objetos contaminados. Embora a transmissão por gotículas respiratórias seja menos comum, já foram registrados casos de infecção de animais para humanos em surtos passados.
Grupos mais vulneráveis incluem homens que fazem sexo com homens, pessoas vivendo com HIV/Aids, indivíduos imunossuprimidos, crianças pequenas e gestantes. O risco de complicações durante a gestação é uma preocupação adicional, especialmente em relação à transmissão vertical do vírus.
Tratamento e Prevenção da Mpox
Atualmente, não há tratamentos específicos comprovadamente eficazes para a mpox; portanto, o manejo dos casos é feito com terapia de suporte. A vacinação é considerada a melhor forma de prevenção, com imunizantes disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas acima de 18 anos que vivem com HIV/Aids, usuários de PrEP e profissionais de saúde em contato com o vírus.
No entanto, conforme aponta Pinheiro, a cobertura vacinal tem sido insatisfatória, o que tem contribuído para o aumento de casos suspeitos e confirmados, inclusive do clado 1b, que é raramente identificado no Brasil. O médico destaca a preocupação com o período de Carnaval, que geralmente traz maior interação física entre as pessoas.
Por isso, se houver a observação de lesões na pele acompanhadas de sintomas como febre e dor no corpo, é crucial evitar o contato com outras pessoas e buscar avaliação médica com um infectologista. Como recomendações adicionais de prevenção, Falci sugere mudanças comportamentais nas relações sexuais e o uso rigoroso de equipamentos de proteção por profissionais de saúde em ambientes hospitalares.
