A Revolução Feminina no Agro e a Sustentabilidade
Instituído pela Organização das Nações Unidas, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a importância da igualdade de gênero na ciência. Segundo a UNESCO, no entanto, apenas 33,3% dos pesquisadores ao redor do mundo são mulheres, um número que ainda exige ações mais efetivas.
A Bayer, empresa que investe fortemente em pesquisa e desenvolvimento de soluções inovadoras para o agronegócio, é um exemplo de como esse movimento pode ser impulsionado. Através de iniciativas como o Prêmio Mulheres do Agro e o programa global WiSE (Women in Science Exchange), a companhia trabalha para empoderar mulheres na ciência.
No Brasil, a situação da desigualdade de gênero também se reflete nas instituições de pesquisa. Dados do Governo Federal apontam que, em 2024, apenas 22,8% dos servidores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) eram mulheres. Esses números evidenciam que o desafio da equidade permeia diversas áreas do conhecimento e pede por ações concretas.
O agronegócio, ao lidar constantemente com questões como produtividade, mudanças climáticas e segurança alimentar, se beneficia diretamente da contribuição feminina. A inclusão de mais mulheres nas pesquisas não apenas diversifica as perspectivas, mas também qualifica as questões abordadas e acelera o desenvolvimento de soluções que atendem às necessidades reais do campo.
Gabriela Gandelini, Gerente de Regulamentação em Assuntos Científicos na Bayer, reforça o compromisso da empresa com a inclusão. Ela compartilha sua experiência no programa WiSE, onde atuou tanto como mentora quanto como mentorada. “Essas experiências mostram como ações estruturadas podem impactar positivamente a trajetória profissional de mulheres na ciência”, ressalta Gabriela, que destaca a importância do apoio masculino nas iniciativas de equidade.
Não é à toa que a Bayer se posiciona como uma das líderes do setor em investimentos em pesquisa e desenvolvimento, alocando mais de 2 bilhões de euros anualmente para criar soluções que promovam uma alimentação sustentável. “Essa missão se conecta diretamente à frase: ‘Saúde para todos, fome para ninguém’”, explica Gandelini.
Inspiração para as Novas Gerações
Duas vencedoras do Prêmio Mulheres do Agro, iniciativa da Bayer em colaboração com a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), servem como referências para meninas que sonham em seguir carreira científica. Dalilla Carvalho Rezende, ganhadora da categoria Ciência e Pesquisa em 2025, enfatiza: “A ciência e o agro também são lugares de vocês, mulheres. Estudem, sejam curiosas e busquem oportunidades”.
Dalilla, que tem suas raízes no agronegócio, conta que sua decisão de seguir pela pesquisa surgiu da vivência no campo, onde enfrentou desafios como doenças nas plantas e insegurança climática. Para ela, as oportunidades de iniciação científica foram cruciais para se estabelecer no ambiente universitário e fortalecer sua autonomia.
Danielle Pereira Baliza, laureada em 2024, também incentiva as jovens: “Sigam seus sonhos. Sempre haverá desafios, mas esses desafios existem para serem superados”. Sua trajetória na ciência começou quando decidiu ir além das aulas e se dedicar a pesquisas, um passo que considera fundamental para um agronegócio mais inovador e diversificado.
Apesar dos progressos, ambas as cientistas reconhecem as barreiras que ainda existem. Danielle relembra um episódio de estereótipo que vivenciou ao ser direcionada para vender chapéus em uma feira agropecuária em vez de atuar como monitora para disseminar conhecimento. “Isso me machucou, pois queria ser reconhecida pela minha competência”, diz. A persistência, no entanto, foi a chave para se afirmar como pesquisadora.
Dalilla também menciona que, no ambiente do agro, pode enfrentar preconceitos sutis. Ela acredita que é essencial mostrar que competência não tem gênero e que o apoio de redes formadas por colegas e professores é vital para a superação de desafios.
No Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, ambas reafirmam que a visibilidade e a representatividade são fundamentais. “Elas abrem portas e mudam as expectativas”, enfatiza Danielle. Dalilla complementa que dar visibilidade a trajetórias até então invisíveis transforma o “eu não consigo” em “eu também posso”, principalmente em ambientes acadêmicos.
As mensagens de Dalilla e Danielle ressaltam que o acesso a oportunidades concretas, como programas de iniciação científica e mentoria, é essencial para que mais mulheres avancem nas carreiras científicas. A responsabilidade de remover barreiras é compartilhada entre universidades, instituições de pesquisa e empresas, como a Bayer, que deve permanecer comprometida com um futuro mais sustentável e igualitário.
