Expansão das Estações de Reciclagem em Minas Gerais
A gestão de resíduos sólidos no Brasil está passando por uma nova fase com a implementação da Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR). Um dos projetos que exemplificam essa mudança é a Estação Circular, uma startup mineira que adota um modelo de recompensa para promover o descarte consciente. Com apoio da renúncia fiscal federal, a Estação Circular planeja expandir sua atuação de oito para 23 unidades em várias regiões do estado, ampliando seu impacto positivo.
O funcionamento da Estação Circular se dá por meio da colaboração entre o setor público, empresas e associações de catadores. Nas unidades, os cidadãos podem entregar materiais recicláveis e, em troca, recebem pontos que podem ser trocados por produtos feitos a partir dos resíduos coletados, promovendo assim a economia circular.
O projeto não se limita apenas à tecnologia, mas também busca impactar socialmente as comunidades envolvidas. Em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a unidade inaugurada no final de 2025 é administrada pela Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascamare).
A presidente da associação, Edna Mariana, que possui 15 anos de experiência em lixões antes da formalização da categoria, ressalta a importância do reconhecimento do trabalho dos catadores. “Não somos lixeiros, somos agentes ambientais. O médico salva vidas e a gente salva o planeta”, afirma, destacando o valor que a iniciativa traz para a profissão. O modelo da LIR oferece garantias, como o custeio do salário do operador da estação por oito meses, o que proporciona segurança financeira às cooperativas envolvidas.
Perspectivas para o Setor Privado
Gerida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a LIR lançou sua primeira rodada em 2025, com 952 projetos apresentados e um potencial de investimento de cerca de R$ 2,2 bilhões. Atualmente, a Estação Circular está em busca de novos parceiros no setor privado para ampliar ainda mais suas operações.
Davi Iankous, gestor do projeto, explica que as empresas podem utilizar uma parte do imposto devido para financiar a criação dessas unidades, alinhando-se às metas de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental. Essa parceria entre o setor privado e as iniciativas de reciclagem é fundamental para o sucesso do modelo proposto pela LIR.
Com cinco unidades já em funcionamento e três em fase de implantação, a Estação Circular tem como meta consolidar uma rede de 15 novas estações, conforme prevê o projeto aprovado pela lei. Essa iniciativa tem o potencial de transformar o descarte, que antes era considerado um problema ambiental, em uma fonte de geração de renda e novos produtos duráveis para a sociedade. A expectativa é de que, ao final do projeto, um novo ciclo de sustentabilidade esteja estabelecido, beneficiando catadores, empresas e a população em geral.
