Histórico Criminal e Operações Policias
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, um dos alvos da recente operação da Polícia Federal (PF) que resultou na prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, possui um extenso histórico criminal, segundo registros da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Conhecido no estado pelo apelido de “Mexirica”, ele enfrenta acusações que vão desde estelionato e clonagem de cartões de crédito até ameaças e lesão corporal. O envolvimento dele com o crime organizado se intensificou em 2020, quando a polícia foi chamada para cumprir um mandado de prisão no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, onde Mourão se encontrava.
Na ocasião, a PF já havia efetuado a ordem judicial quando os policiais civis chegaram. Durante a abordagem, Mourão apresentou sinais de mal-estar devido a uma queda de pressão, sendo necessário atendimento em uma unidade de urgência local. No pátio do aeroporto, agentes encontraram um carro relacionado a ele, que foi retido para investigação, levantando suspeitas sobre a compra com recursos de origem ilícita.
Ações de Busca e Apreensão
No mesmo ano, a Polícia Civil deu continuidade às investigações e realizou um mandado de busca e apreensão na residência de Mourão, localizada no bairro Sion, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Durante esta ação, foram coletados documentos que poderiam estar ligados a crimes financeiros e indícios de lavagem de dinheiro. Dentre os itens apreendidos, destacam-se cópias de notas fiscais de veículos de luxo em nome de terceiros, com valores que chamam atenção. Entre eles, um Bentley Continental avaliado em cerca de R$ 570 mil, um Audi R8 de aproximadamente R$ 270 mil, e um Jeep Grand Cherokee estimado em R$ 130 mil.
Além disso, documentos relacionados a quatro empresas — Maximus Digital, Sirius Business, Maximus Fomento e Pag4 — também foram confiscados. Policiais ainda encontraram um iPhone 6s e um pen drive de 32 GB, contendo arquivos e e-mails que estão sob análise pericial.
Relação com Daniel Vorcaro
A investigação da PF apontou Luiz Phillipi como um dos líderes do grupo conhecido como “A Turma”, que supostamente organizava ações contra inimigos do banqueiro Daniel Vorcaro, além de jornalistas. Mourão, apelidado de “Sicário” — termo associado a matadores de aluguel e ao crime organizado —, foi um dos alvos nesta quarta-feira (4) na nova fase da Operação Compliance Zero. O objetivo foi prevenir possíveis interferências nas investigações em andamento. As prisões e os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo ministro André Mendonça.
O relator alertou que a manutenção dos envolvidos em liberdade poderia sustentar o funcionamento da organização criminosa e acarretar riscos de destruição de provas. As investigações revelam a existência de um esquema de fraudes bilionárias no mercado financeiro, supostamente liderado por Vorcaro, que também teria conexões diretas com servidores do Banco Central do Brasil encarregados da supervisão na área.
