Legado de Maria Lima das Graças no Edifício JK
Maria Lima das Graças, que dedicou mais de 40 anos à administração do Edifício JK, faleceu na última sexta-feira, dia 13, aos 78 anos, em Belo Horizonte. Seu estado de saúde havia se agravado, e desde o dia 4 de março, estava internada no Hospital Felício Rocho, situado no bairro Barro Preto, uma das regiões centrais da capital mineira.
A confirmação da triste notícia veio pelo advogado da família, Faiçal Assruy, que não divulgou a causa da morte. Reconhecida por sua gestão firme e marcante, Maria Lima ficou à frente do Edifício JK, um projeto do renomado arquiteto Oscar Niemeyer, desde a década de 1980, tornando-se uma figura emblemática da administração condominial em Belo Horizonte.
O Edifício JK, com 999 apartamentos e cerca de 5 mil moradores, é considerado um pequeno município em termos de população. Sua gestão chegou ao fim em setembro de 2025, quando Maria se afastou do cargo devido a problemas de saúde, sendo sucedida pelo advogado Manoel Gonçalves de Freitas, que já era o gerente do edifício.
Desafios e Saúde
Nos últimos anos de sua vida, Maria enfrentou complicações de saúde que resultaram em diversas internações. Em agosto de 2025, ela foi hospitalizada após contrair uma infecção, necessitando de tratamento com antibióticos. Essa internação prolongada gerou especulações sobre sua morte, as quais foram prontamente desmentidas pela família.
Conflitos e Controvérsias na Gestão
A administração de Maria Lima das Graças não foi isenta de controvérsias. Sua longa gestão foi marcada por disputas com os moradores e por processos judiciais relacionados a questões de administração no prédio. Ela ficou conhecida entre os condôminos como a “Dama de Ferro do JK”, um apelido que refletia seu estilo firme e autoritário de conduzir a gestão do condomínio.
Um dos principais pontos de crítica à sua administração estava ligado à dificuldade em realizar obras estruturais necessárias, especialmente após o tombamento do Edifício JK pela Prefeitura de Belo Horizonte em 2022. Naquela época, a defesa de Maria argumentou que as limitações financeiras do condomínio restringiam as intervenções necessárias, e que tudo estava sendo feito dentro das possibilidades financeiras dos moradores.
Ações Judiciais e Repercussões
As questões envolvendo a administração do Edifício JK não pararam por aí. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou com uma ação contra o condomínio, Maria e um gerente, apontando falhas estruturais e de segurança na edificação. Além disso, moradores levantaram questionamentos sobre a gestão das receitas condominiais, que eram estimadas em cerca de R$ 700 mil mensais, e criticaram as exigências consideradas excessivas para aqueles que desejavam se candidatar ao cargo de síndico.
A defesa de Maria Lima sempre negou qualquer tipo de irregularidade, atribuindo as denúncias a disputas internas e a rivalidades entre os moradores do edifício. Sua trajetória, repleta de desafios e conquistas, deixa um marco na história do Edifício JK e na memória de Belo Horizonte.
