O Início da Jornada
Em busca de uma nova oportunidade, Merope Papadellis começou sua trajetória como empreendedora comprando peças em polos comerciais de Goiás. Com um carro cheio de produtos, ela realizava vendas diretas, visitando cidades e oferecendo suas mercadorias. Com o tempo, Merope notou uma demanda crescente e a possibilidade de expandir seu negócio.
O primeiro grande marco aconteceu quando Andressa Suita, esposa do cantor sertanejo Gusttavo Lima, compartilhou uma foto usando um dos chapéus de Merope. A repercussão foi surpreendente: em questão de horas, mais de mil mensagens inundaram seu celular. Diante desse cenário desafiador, Merope percebeu a necessidade de criar uma plataforma online para atender à crescente demanda. “O site nasceu da noite para o dia. Ou eu fazia aquilo, ou perdia dinheiro”, relembra ela.
Decisões Rápidas e Adaptação
Nesse período, ficou evidente para Merope que empreender demandava decisões ágeis e uma constante adaptação às circunstâncias. A mudança mais significativa ocorreu em 2018, quando, durante um show, ela se deparou com uma mulher vestindo um chapéu rosa — um acessório pouco comum na época. Ao pedir emprestado o item para tirar fotos, Merope viu surgir uma nova oportunidade quando, imersa na internet, começou a receber pedidos para reproduzir o modelo.
A pandemia e a retomada dos shows contribuíram para a ampliação da demanda, embora também trouxessem uma nova onda de concorrentes. Com o aumento das vendas de chapéus semelhantes a preços mais baixos, Merope se viu pressionada. “Quando o vídeo viralizou, a concorrência cresceu muito. Muitas pessoas começaram a vender chapéus também. Foi então que percebi que precisava agir”, conta.
Diferenciação no Mercado
Em resposta à concorrência acirrada, Merope optou por se diferenciar. Iniciou a customização de chapéus com pedrarias, brilhos e novos acabamentos. O processo, no entanto, não foi simples e envolveu muitos testes e erros. “Colei pedras em chapéus várias vezes, mas a cola não funcionava e nada saia como planejado. Não era nada fácil”, admite.
Por conta de sua dedicação, Merope descartou aproximadamente 50 chapéus até encontrar o modelo ideal, investindo cerca de R$ 8 mil nesse processo. Para ela, esses gastos não eram prejuízo, mas sim um investimento valioso para compreender melhor seu produto.
O Crescimento do Negócio
O esforço valeu a pena, uma vez que a produção mensal de chapéus saltou de 10 para cerca de 300 unidades. Atualmente, a empresa de Merope já conta com parcerias com fábricas, realiza a customização das peças e emprega bordadeiras, tendo revendedores em diferentes regiões do Brasil e até fora do país. O faturamento mensal alcança aproximadamente R$ 100 mil, com vendas que vão de R$ 100 a R$ 2 mil.
O crescimento do negócio também é impulsionado pela visibilidade proporcionada por artistas do meio sertanejo, como a cantora Paula Fernandes, que se encantou com um dos chapéus. “Ela pediu para experimentar e, após o show, fui chamada ao camarim”, conta Merope, lembrando que, após essa interação, outros artistas como Mayara e Maraisa e Claudia Leitte também começaram a se interessar pelos produtos.
Construindo Relacionamentos e a Identidade da Marca
Para Merope, é fundamental manter um atendimento próximo ao cliente, mesmo com o crescimento do negócio. Ela acredita que a construção de uma marca sólida deve estar baseada na confiança e na experiência do consumidor, e não apenas no volume de vendas. “Quando um produto possui identidade, o cliente consegue perceber seu valor”, afirma.
A trajetória de Merope Papadellis ilustra um dos principais ensinamentos do programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios: empreender é sobre identificar oportunidades, aprender com os erros e adaptar-se rapidamente às dinâmicas do mercado. De um acessório tradicional do campo, ela transformou sua ideia em um negócio que se conecta com tendências contemporâneas e continua em expansão.
