Reafirmação da ABC em Prol de um Futuro Justo e Sustentável
A Academia Brasileira de Ciências (ABC) celebra 110 anos de história reafirmando seu compromisso com um Brasil mais justo, democrático e sustentável, fundamentado na ciência. Desde sua fundação, a ABC tem se mostrado mais do que uma instituição científica; tem sido um espaço de reflexão e defesa dos interesses públicos, essencial para o progresso da nação.
A ABC surgiu com a forte convicção de que o conhecimento científico é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento das nações e para o bem-estar da humanidade. Esta crença foi crucial para a edificação do sistema científico brasileiro, uma trajetória que se entrelaça com a própria história da difusão científica no Brasil.
Um marco significativo na história da ABC ocorreu em 1925, quando Albert Einstein visitou a academia, participando de eventos na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, idealizada por Edgard Roquette-Pinto e Henrique Morize, dois nomes emblemáticos da instituição. Essa visita simbolizou um anseio de aproximação entre ciência, comunicação e educação, transformando o conhecimento em uma força pública. Outro momento memorável foi em 1926, quando Marie Curie, laureada com dois prêmios Nobel, tornou-se a primeira mulher a ser eleita membro correspondente da ABC ao visitar o Brasil. Este espírito de pioneirismo é um traço que permeia a trajetória da academia.
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A Presença da Ciência nas Conquistas Brasileiras
A ABC também desempenhou um papel fundamental na fundação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e na formulação de políticas científicas e educacionais. A instituição tem sido um pilar para a consolidação da ideia de que a ciência requer continuidade, não improvisação.
Os frutos desse longo percurso estão evidentes em diversas áreas. A ciência brasileira foi essencial para que a Petrobras se tornasse uma referência mundial na exploração de petróleo em águas profundas. A Embraer, por sua vez, alcançou um nível de competitividade internacional que a mantém em destaque no setor aeroespacial. A Embrapa transformou o Brasil em uma potência agrícola, enquanto a Fiocruz e o Butantan se destacam na produção de vacinas que são vitais para a saúde pública. Dessa forma, a ciência não se limita a laboratórios; ela se manifesta na produção de alimentos, na energia, na aviação e na contenção de doenças.
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Entretanto, a ABC reconhece que não deve viver apenas da nostalgia; sua missão é contribuir para a construção de um futuro melhor. Em tempos de rápidas transformações tecnológicas, desafios sanitários, crises climáticas e aumento da desigualdade social, é mais do que urgente investir em educação, ciência e inovação.
Desafios e Oportunidades para a Ciência Brasileira
Um exemplo claro das repercussões desse investimento é a China, que já superou os Estados Unidos em termos de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e não parece disposta a desacelerar. Em contrapartida, o desmonte que o governo americano tem promovido em sua estrutura científica, com cortes orçamentários e ameaças a instituições acadêmicas, pode intensificar a distância entre as potências globais.
Diante de um cenário em que diferentes países competem pela liderança econômica, soberania e desenvolvimento, o Brasil precisa urgentemente priorizar a ciência como uma pauta de Estado. O país possui um vasto potencial científico, ambiental e humano, e a fórmula para transformar esse potencial em desenvolvimento sustentável não é misteriosa: exige políticas públicas consistentes, investimentos contínuos em educação e pesquisa, valorização dos cientistas e fortalecimento das instituições científicas.
A defesa da ciência e da democracia são pilares do Manifesto pelos 110 anos da Academia Brasileira de Ciências, que foi lançado para marcar essa emblemática data. Neste documento, a ABC reitera seu compromisso em atuar como uma voz qualificada da ciência no Brasil, promovendo um diálogo eficaz entre o conhecimento científico, o Estado e a sociedade.
O desenvolvimento científico se consolida plenamente em ambientes onde a democracia é respeitada. Portanto, defender a democracia é garantir não apenas o avanço do conhecimento, mas também a construção de um futuro mais justo, ético e inclusivo para todos.
