Retorno do musical “Elza” a Belo Horizonte com novo formato
O musical “Elza”, que narra a trajetória da cantora Elza Soares, volta a Belo Horizonte após cinco anos. A montagem, que estreou em 2018 e passou pela capital mineira apenas na ocasião, retorna com duas apresentações no Sesc Palladium neste fim de semana. A produção traz novidades que reforçam o caráter de celebração da vida e da força da artista.
Elza Soares, que participou do processo criativo, pediu para que o espetáculo não focasse nas tragédias que enfrentou, mas sim na mulher de superação que foi. Por isso, a diretora Duda Maia buscou surpreender a cantora durante todo o desenvolvimento da peça, mantendo a essência dessa luta e resistência.
Reformulações e homenagem ao legado da cantora
Entre as mudanças, Larissa Luz, que fazia parte do elenco e também era responsável pela direção musical, concentrou-se apenas na direção musical. A banda foi reduzida e alguns arranjos foram refeitos, incluindo versões originais criadas especialmente pelo maestro baiano Letieres Leite (1959-2021). O texto de Vinicius Calderoni, dramaturgo e integrante da banda 5 a Seco, continua como fio condutor da narrativa.
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Duda Maia explica que a mudança no elenco permitiu adaptações para valorizar as experiências e vivências pessoais das atrizes, ampliando o brilho individual de cada uma. A cena final do musical ganhou um texto breve que presta homenagem a Elza Soares após sua morte em 2022, aos 91 anos, evocando uma presença eterna e onírica.
Elenco diverso e estrutura inovadora
O espetáculo conta com sete atrizes que se revezam para interpretar Elza em diferentes fases da vida, além de outras personagens. A narrativa não segue ordem cronológica, permitindo que a mesma personagem seja representada simultaneamente por mais de uma atriz. O elenco conta com três mineiras: Janamô e Júlia Tizumba, que participaram da montagem original, e Josy Anne, que integra a produção agora.
Força da obstinação e memória afetiva
Para a diretora Duda Maia, o destaque do musical está na força da trajetória de Elza Soares, marcada por muitas dificuldades e uma obstinação positiva. A cantora, apesar da indignação com questões sociais e políticas, nunca alimentou rancor, o que a impulsionou a seguir em frente. A presença masculina na narrativa é restrita a três figuras importantes: Garrincha, seu grande amor; o pai; e São Jorge, sem a necessidade de atores homens em cena.
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Elza recebeu parte do elenco em sua casa, onde algumas cenas foram ensaiadas. Na estreia do espetáculo no Rio de Janeiro, ela assistiu à apresentação completa pela primeira vez, emocionando-se e demonstrando carinho pelo musical. A parceria entre a cantora e a diretora perdurou, incluindo a direção do último show de Elza, “Planeta Fome”.
Continuidade e relevância do espetáculo
Oito anos após a estreia, o musical “Elza” mantém sua força e atualidade na cena cultural. Duda Maia destaca que o espetáculo ainda desperta interesse e perguntas sobre seu retorno. Após a sessão deste domingo, haverá um bate-papo com o elenco, promovendo diálogo direto com o público e reforçando a importância do legado deixado por Elza Soares.
