Análise das Barreiras e Oportunidades para Inovação na Região Sudeste
O Sudeste do Brasil, reconhecido como o núcleo da inovação no país, lidera em pesquisa e desenvolvimento (P&D), mas ainda enfrenta desafios que afetam outras regiões, como a falta de capital humano qualificado e a burocracia para acessar instrumentos de fomento. Durante a Jornada Nacional de Inovação da Indústria, que ocorreu em Belo Horizonte, o diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Jefferson Gomes, apresentou um panorama da situação regional.
Segundo Gomes, a região conta com uma variedade de instrumentos de apoio técnico e financeiro e com leis voltadas para inovação, mas a decolagem ainda não aconteceu como esperado. “Nosso objetivo com a Jornada é percorrer o Brasil e ouvir as empresas sobre seus desafios e estratégias de inovação. Apesar das dificuldades serem semelhantes, cada região possui características e infraestrutura distintas”, comentou.
Entre os setores que se destacam na região, o transporte e mobilidade são liderados por empresas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, mostrando o potencial da região na transição energética. O Sudeste é responsável por quase metade da produção de etanol e lidera na fabricação de veículos elétricos e híbridos. Além disso, a região possui um forte potencial em áreas como supercomputação, biotecnologia e saúde, além da implementação de redes 5G.
Os números revelam a maturidade do ecossistema de inovação no Sudeste, que é referência em toda a América Latina. Confira alguns dados:
- Retém 87% do investimento privado em P&D;
- Responsável por 86,8% dos investimentos realizados via Lei do Bem;
- Congrega 60,2% das startups e foi o berço de 22 dos 24 unicórnios do Brasil;
- Possui 110 dos 162 data centers operacionais, ou seja, 68% no país;
- Tem uma infraestrutura portuária robusta, com o Porto de Santos movimentando 30% do comércio nacional;
- É o responsável por 48,5% da produção nacional de etanol;
- Lidera a indústria automotiva, prevendo a produção de 2,64 milhões de veículos até 2025, com um crescente foco em modelos híbridos.
Apesar dessas vantagens, as empresas da região enfrentam desafios significativos. As principais dificuldades incluem a escassez de capital humano qualificado (29,4%), a necessidade de reduzir a burocracia em processos de fomento (23,8%), a mitigação da insegurança jurídica e da instabilidade regulatória (15,2%), a concorrência global desleal (10,8%) e a resistência cultural à inovação (20,8%).
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe, destaca que inovar não apenas aumenta a produtividade e os resultados das empresas, mas também impacta positivamente a expectativa de vida da população. “As empresas devem estar atentas às oportunidades”, ressaltou.
A abertura do evento contou também com a presença de figuras importantes, como Marcelo Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae MG, Antônio Carlos Vilela, vice-presidente da FIRJAN, e Paulo Renato, gerente de Inovação do Sebrae Nacional, além de Mariana de Oliveira Santos, coordenadora-geral de Instrumentos de Apoio à Inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Durante os painéis subsequentes, representantes de empresas como Cerâmica Brasileira, Nanum Nanotecnologia, e Bagueteria Francesa apresentaram cases de sucesso e instrumentos de fomento. As instituições participantes incluem a Embrapii, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A Jornada Nacional de Inovação da Indústria é um evento itinerante que visa discutir soluções e desafios enfrentados pela indústria brasileira em cada região. Organizada pela CNI e pelo Sebrae, a iniciativa conta com o apoio das federações das indústrias estaduais e a parceria da Finep e Embrapii. Desde seu início em julho de 2025, a caravana já passou por 48 cidades, incluindo sete no Sudeste. O evento culminará com o encontro regional Norte, agendado para Belém (PA), nos dias 11 e 12 de março, onde os resultados e propostas serão debatidos no Congresso de Inovação da Indústria, programado para São Paulo em 25 e 26 de março.
