Ovo: Vilão ou Aliado da Saúde?
O consumo de até dois ovos diariamente é considerado seguro para a maioria das pessoas saudáveis. No entanto, essa recomendação pode mudar para aqueles que apresentam condições como colesterol alto, diabetes ou problemas cardiovasculares. Especialistas afirmam que o impacto do ovo na saúde vai além do alimento em si, envolvendo mais o perfil do consumidor e sua dieta geral.
Os ovos são uma fonte valiosa de proteínas, vitaminas e compostos bioativos, sendo um alimento importante em diversas fases da vida. A nutricionista Clarissa Hiwatashi Fujiwara, vinculada ao Departamento de Nutrição da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), destaca que, dentro de uma alimentação balanceada, o ovo pode exercer um papel protetor.
“O ovo é rico em proteínas de alta qualidade, micronutrientes essenciais e compostos bioativos. A clara é quase toda composta por proteínas, enquanto a gema, que concentra as gorduras, é nutricionalmente mais diversa, contendo colina, vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e carotenoides, como luteína e zeaxantina, que são benéficos para a saúde ocular”, explica Fujiwara.
Embora a gema contenha colesterol, as evidências sugerem que, para a maioria das pessoas saudáveis, a quantidade de colesterol proveniente da dieta tem um impacto menos significativo no colesterol sanguíneo do que o padrão alimentar geral, ressalta a nutricionista.
É Seguro Consumir Mais de Dois Ovos por Dia?
Para indivíduos saudáveis, a inclusão de mais de dois ovos na dieta é viável, segundo os especialistas consultados. No entanto, o consumo excessivo não é aconselhável para pessoas com risco cardiovascular elevado. Estudos indicam que um alto consumo de ovos pode estar associado ao aumento do risco cardiovascular e até à mortalidade nesses grupos, alerta o endocrinologista Marcio Lauria, coordenador do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
A avaliação da quantidade ideal de ovos deve considerar fatores individuais, como histórico de doenças cardiovasculares e necessidades nutricionais. Por exemplo, a adição de cinco ovos à dieta diária sem ajustes nas demais refeições pode resultar em um consumo excessivo de calorias, o que pode levar ao aumento de gordura corporal.
Em geral, a ingestão de gorduras saturadas não deve ultrapassar 10% das calorias diárias. Já para aqueles com risco cardiovascular, o limite pode ser reduzido para menos de 7%. Fujiwara recomenda limitar a ingestão de alimentos ricos em gordura saturada, tanto de origem animal quanto vegetal.
O Que a Ciência Revela Sobre Ovos e Colesterol
Segundo Lauria, o consumo moderado de ovos não está diretamente ligado ao aumento do risco cardiovascular em adultos saudáveis. “Para a maior parte da população, ingerir até dois ovos por dia é seguro, especialmente se parte de uma dieta bem equilibrada. O efeito do colesterol dietético dos ovos sobre o perfil lipídico é, na maioria das vezes, pequeno”, afirma.
Contudo, a situação é diferente para grupos específicos. “Indivíduos com diabetes tipo 2, hipercolesterolemia, hipertensão ou doenças cardiovasculares devem ser cautelosos, pois um maior consumo de ovos pode representar riscos incrementais”, ressalta.
A literatura mostra que o consumo de um ou dois ovos por dia pode resultar em efeitos diferentes, com um aumento discreto no risco ao consumir dois ovos, especialmente em pessoas com fatores de risco. Contudo, o impacto absoluto ainda é considerado pequeno.
Ovo: Uma Questão de Contexto Alimentar
A médica nutróloga Isolda Prado, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), reforça que o ovo, por si só, dificilmente é o principal problema. “Para a maioria das pessoas saudáveis, consumir até dois ovos diariamente pode ser seguro e integrar uma dieta equilibrada”, afirma. É importante considerar o padrão alimentar como um todo, assim como exames laboratoriais e histórico de saúde.
O ovo pode ser especialmente benéfico em situações que exigem maior ingestão de proteínas, como recuperação pós-cirúrgica, gestação e para idosos, ajudando na manutenção da massa muscular.
A maneira de preparar os ovos também tem um papel crucial nos impactos à saúde. Preparações simples, como ovos cozidos ou pochê, são as mais recomendadas, pois evitam a adição excessiva de gordura, que pode prejudicar a saúde, especialmente em pessoas com predisposição a dislipidemias.
Considerações Finais
Embora a quantidade de ovos seja um ponto debatido, os especialistas concordam que o padrão alimentar global é o que importa. O consumo de ovos dentro de uma dieta rica em alimentos frescos e minimamente processados apresenta efeitos diferentes comparado a dietas ricas em gorduras saturadas e ultraprocessados. Portanto, não há um número mágico: a chave está no contexto alimentar e na saúde individual de cada um.
