Conexões Perigosas
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo codinome “Sicário”, foi preso na última quarta-feira (4/3) pela Polícia Federal em Minas Gerais. Ele é suspeito de integrar uma ‘milícia pessoal’ do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga fraudes na instituição financeira. A detenção de Mourão levanta questões sobre a natureza das atividades do grupo, que supostamente trabalhava para monitorar e intimidar adversários comerciais, ex-funcionários e jornalistas.
Após sua prisão, Mourão tentou cometer suicídio na Superintendência Regional da Polícia Federal, onde estava sob custódia. Ele foi socorrido e levado a um hospital em Belo Horizonte. Fontes informaram à BBC News Brasil que os médicos iniciaram um protocolo para verificar a possibilidade de morte cerebral. No entanto, a Polícia Federal não confirmou nenhuma informação sobre seu estado de saúde, e a Secretaria de Saúde de Minas Gerais se absteve de comentar sobre o paciente devido à privacidade prevista pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A defesa de Mourão afirmou que teve contato com ele até às 14h do dia da prisão, quando ele estava em boa saúde. A defesa ainda acrescentou que ficou ciente do incidente por meio de uma nota divulgada pela Polícia Federal e que está acompanhando a situação no Hospital João XXIII.
Investigações e Acusações
A Polícia Federal anunciou a abertura de uma investigação interna para apurar as circunstâncias do ocorrido com Mourão. Vídeos que documentam os eventos serão enviados ao gabinete de André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A operação que culminou na prisão de Mourão foi autorizada por Mendonça, e outros indivíduos também foram alvo de mandados de prisão, incluindo Vorcaro e seu cunhado, o advogado e pastor evangélico Fabiano Campos Zettel.
O grupo supostamente operava como uma milícia privada, coletando dados e informações sobre alvos específicos. Mensagens interceptadas pela PF revelam que Mourão tinha um papel central na estrutura, sendo responsável por ações que envolviam vigilância e intimidação de críticos e opositores. As investigações indicam que o grupo funcionava com um orçamento que poderia chegar a R$ 1 milhão mensais para sustentar suas atividades.
Práticas de Vigilância e Coação
Em troca de mensagens com Vorcaro, Mourão cobrou o pagamento dos serviços prestados pelo grupo, indicando uma relação clara entre os dois. As mensagens também sugiram que a organização estava disposta a utilizar violência para intimidar jornalistas e concorrentes. Vorcaro, segundo a PF, teria sugerido a simulação de um assalto para prejudicar um jornalista cuja identidade não foi divulgada, mas que, segundo apurações, parece ser o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
As mensagens revelam que Vorcaro desejava “quebrar todos os dentes” do jornalista, levando a polícia a caracterizar o grupo como uma milícia privada, que utilizava métodos violentos e coação para garantir a proteção de seus interesses. No entanto, a defesa de Vorcaro rejeitou as acusações, afirmando que ele sempre esteve disposto a colaborar com as autoridades. A presença de mensagens que indicam a intenção de intimidar jornalistas foi classificada pela PF como uma tentativa clara de obstrução da Justiça.
O Caso do Banco Master
O Banco Master, sob o controle de Vorcaro, já havia enfrentado problemas financeiros e foi alvo de liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025. As investigações revelaram que o banco violou normas do Sistema Financeiro Nacional, o que agravou sua situação. Vorcaro admitiu que o Banco Master enfrentou dificuldades, mas sustentou que sempre honrou seus compromissos financeiros.
À medida que as investigações se aprofundam, o envolvimento de Vorcaro com o ambiente político e jurídico do Brasil suscita crescente interesse. O caso pode ter ramificações significativas, como a possibilidade de desdobramentos envolvendo aliados e influências políticas. O ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso recentemente, se encontra em meio a um cenário em que a verdade por trás das operações do Banco Master e da milícia pessoal de Vorcaro se torna cada vez mais complicada.
