Transformando Desafios em Oportunidades
A Finehra Energia, uma startup emergente baseada em Belo Horizonte, está se destacando de maneira impressionante no cenário da geração distribuída de energia. Fundada dentro do Founder Institute, reconhecida por ser uma das maiores aceleradoras do mundo em fase pré-seed, a empresa já conquistou aproximadamente 7 mil clientes. O principal produto da startup, o “Ticket Verde”, inova ao transformar a energia em um benefício corporativo.
Com o crescimento desse produto, a Finehra Energia está atualmente avançando nas negociações para uma fusão e aquisição com uma grande empresa do setor de benefícios. Contudo, não apenas os desafios do mercado energético estão à sua porta. A startup enfrenta também a questão do uso indevido da marca Ticket Verde, registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) por um conglomerado bilionário do setor energético.
Fundação em Tempos Difíceis
A fundadora e CEO da Finehra Energia, Érika Garshaus, juntamente com seu sócio Marcos Alixandrini, estabeleceu a empresa em 2020, durante a crise da Covid-19, em um momento em que o mercado de energia, especificamente a geração distribuída, enfrentava um estágio inicial de desenvolvimento. Érika comenta sobre o cenário: “A empresa surgiu em um momento promissor, com uma grande expansão da construção de usinas. No entanto, foi preciso lidar com um desafio significativo: como escoar essa energia?” Ela ressalta a desconfiança dos consumidores locais e a falta de conscientização sobre essa nova oferta.
Para superar esses obstáculos, a equipe optou por arrendar usinas e assumir a gestão para facilitar a comercialização da energia. “Diante das dificuldades, nos reinventamos”, explica Érika.
O Nascimento do Ticket Verde
Assim, surgiu o Ticket Verde, um produto inovador que transforma a energia em um benefício corporativo, proporcionando descontos na fatura de energia dos colaboradores. “Em um setor tradicional e conservador, decidimos olhar a energia sob uma nova ótica, equiparando-a a benefícios como vale-refeição ou planos de saúde. O Ticket Verde nasceu com a missão de trazer energia limpa para a casa dos nossos colaboradores”, afirma Érika.
O sucesso do Ticket Verde é notável. Ele não apenas promove uma maior taxa de conversão de clientes, mas também se alinha às crescentes demandas por responsabilidade social e práticas ambientais, conhecidas como ESG. Atualmente, a Finehra Energia atende a aproximadamente 7 mil clientes, distribuídos em Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia, com foco especial em pequenas e médias empresas (PMEs).
Reconhecimento no Mercado Nacional
O produto destacou-se no mercado nacional ao formar uma parceria com o iFood Benefícios, que, embora não esteja mais ativa, foi crucial para aumentar a visibilidade da marca. “Fomos além das fronteiras com nosso trabalho e recebemos reconhecimento de Marcos Nobel através do United Earth Amazonia Award, um respaldo significativo que reforça nosso compromisso com a sustentabilidade”, enfatiza Érika.
Desafios e Oportunidades no Mercado de Energia
Atualmente, segundo Érika, o segmento de geração distribuída está passando por um processo de “limpeza natural” e vive um momento de consolidação. A nova Lei 14.300, que estabelece o marco legal da microgeração e minigeração, impôs regras mais rígidas, aumentando a eficiência operacional necessária. O advento do mercado livre de energia intensificou a competição, com descontos que, anteriormente, variavam de 10% a 15%, agora alcançando até 40%. Com essa pressão nas margens, muitas empresas estão se direcionando para fusões e aquisições.
“Estamos em conversações avançadas com um grande player do setor de benefícios para a aquisição da marca Ticket Verde, com o objetivo de concretizar essa negociação até 2026. Acreditamos que, a partir desse passo, a marca poderá transcender as fronteiras da energia e da geração compartilhada”, revela Érika.
Defesa da Propriedade Intelectual
Entretanto, a Finehra Energia enfrenta outro desafio significativo: a utilização indevida da marca Ticket Verde por um grupo bilionário no setor energético da região Centro-Oeste do Brasil, que atua também em Minas Gerais e São Paulo. Segundo Érika, esse grupo tem usado a marca em materiais de marketing e vendas, criando confusão no mercado.
“O Ticket Verde está devidamente registrado no INPI. Identificamos que estão utilizando a marca de maneira frequente em suas comunicações. É uma situação típica onde uma startup jovem enfrenta a tentativa de apropriação de um conceito por um grande player já consolidado. Precisamos de legislações mais robustas para proteger startups contra essas práticas”, enfatiza.
A CEO também relatou que foram enviadas notificações extrajudiciais ao grupo, mas ainda não houve progresso nas negociações sobre o uso da marca. “Nosso foco é resolver a questão da propriedade intelectual do Ticket Verde, que é um ativo que construímos desde o início. Não abrir mão disso é fundamental para nós”, conclui.
Ela espera que um diálogo possa prevalecer e que uma solução amigável possa ser alcançada rapidamente. “Evitar disputas desnecessárias é crucial para a valorização do Ticket Verde. Um conflito judicial desgastante não é do interesse de nenhum dos lados”, finaliza.
