Possíveis Mudanças na Rotação do Núcleo Interno da Terra
Em 15 de março de 2026, um estudo conduzido por cientistas da Peking University trouxe à tona a intrigante possibilidade de que o núcleo interno da Terra possa ter interrompido sua rotação temporariamente, ou até mesmo iniciado um movimento em direção contrária. Essa hipótese ganhou destaque nas redes sociais após analisarem ondas sísmicas coletadas ao longo de várias décadas.
A pesquisa, liderada pelos cientistas Yi Yang e Xiaodong Song, focou em dados sísmicos de terremotos registrados desde a década de 1960, com o objetivo de elucidar melhor o comportamento complexo do núcleo interno do nosso planeta.
Compreendendo a Estrutura do Núcleo Terrestre
A Terra é composta por três camadas principais: crosta, manto e núcleo. O núcleo é subdividido em núcleo externo, que é líquido, e núcleo interno, que é sólido. Localizado a cerca de 5.100 quilômetros abaixo da superfície, o núcleo interno pode girar em velocidades distintas em relação ao restante da Terra, devido à presença do núcleo externo líquido que o circunda.
Com um raio próximo de 3.500 quilômetros, comparável ao do planeta Marte, o núcleo terrestre é predominantemente constituído por ferro e níquel, concentrando cerca de um terço da massa total da Terra.
Desaceleração da Rotação do Núcleo Interno
Os dados analisados pelos pesquisadores indicam que, até 2009, havia variações notáveis na rotação do núcleo interno ao longo do tempo. Contudo, medições mais recentes sugerem que essa rotação pode ter desacelerado significativamente ou se alinhado à velocidade de rotação do restante do planeta.
A equipe de pesquisa acredita que essa mudança no comportamento da rotação pode sinalizar uma fase de transição no núcleo interno, possivelmente iniciando um movimento de rotação inversa. Essa hipótese é reforçada pela observação de que esse fenômeno pode fazer parte de um ciclo natural de aproximadamente sete décadas.
Um Ciclo de Mudanças e Suas Implicações
Os cientistas sugerem que uma inversão semelhante pode ter ocorrido no início da década de 1970. A rotação do núcleo interno é amplamente influenciada pelo campo magnético gerado no núcleo externo, além das forças gravitacionais do manto terrestre. Pequenas variações nessas forças podem ocasionar alterações na velocidade de rotação ao longo do tempo.
O geofísico Hrvoje Tkalčić, da Australian National University, observa que o núcleo interno provavelmente não para completamente, mas pode estar se sincronizando com a rotação do resto do planeta.
A Necessidade de Novas Pesquisas
Embora os dados analisados sejam consistentes, especialistas ressaltam a importância de continuar as investigações para entender completamente o comportamento do interior da Terra. Segundo Tkalčić, estudar o núcleo do planeta é uma tarefa extremamente desafiadora, visto que ele está localizado a milhares de quilômetros de profundidade, tornando a observação direta impossível.
Os cientistas utilizam ondas sísmicas geradas por terremotos como ferramenta para inferir as características internas da Terra, um método que se assemelha ao exame médico utilizado para estudar órgãos internos. Apesar dos avanços significativos na geofísica nas últimas décadas, os pesquisadores acreditam que ainda há muito a explorar sobre os processos que ocorrem nas profundezas do planeta.
