Empreender em Pernambuco: Entre Oportunidades e Barreiras
No estado de Pernambuco, o empreendedorismo apresenta uma perspectiva desafiadora, enfrentando barreiras como a burocracia excessiva, a fragilidade de uma cultura que promova novos negócios e a escassez de apoio aos empresários. Apesar de exemplos de sucesso, como as indústrias do Polo de Confecções do Agreste e as startups do Porto Digital, o ambiente de negócios no estado ainda demanda melhorias significativas.
As discussões técnicas do projeto Pernambuco em Perspectiva, promovido pela Revista Algomais em parceria com a Rede Gestão, destacam a importância de um empreendedorismo dinâmico como estratégia para o desenvolvimento do estado. Segundo Ricardo de Almeida, sócio da TGI e consultor, “falar de empreendedorismo dinâmico é falar de ambiente de negócios”, enfatizando a necessidade de um contexto construtivo para o surgimento de novos talentos.
Burocracia e Acesso ao Crédito: Obstáculos ao Desenvolvimento
A burocracia, aliada ao difícil acesso ao crédito e a uma cultura ainda resistente ao empreendedorismo, figura entre os principais desafios enfrentados por aspirantes a empresários em Pernambuco. De acordo com o Mapa das Empresas, que avalia o tempo necessário para a viabilidade de novos negócios, Pernambuco ocupa a 14ª posição no Brasil, longe de ser um destaque.
Priscila Lapa, analista do Sebrae-PE, menciona que em 2021 o estado foi considerado o mais difícil do País para abrir uma empresa, segundo o relatório Doing Business Subnacional do Banco Mundial. “Houve um avanço desde então, mas ainda estamos longe do ideal”, afirma.
O Empreendedorismo por Necessidade e Oportunidade
No mais recente relatório do Global Entrepreneurship Monitor 2025/2026, o Brasil ocupa a 44ª posição entre 53 países no índice do NECI, que mede o contexto empreendedor. Um dado alarmante revela que 71% dos brasileiros se lançam ao empreendedorismo por necessidade, devido à escassez de empregos. Ricardo de Almeida alerta que é essencial promover o empreendedorismo por oportunidade, onde o ambiente de negócios favorece a identificação e o aproveitamento de novas chances.
A realidade em Pernambuco é a de um ambiente de negócios fragmentado e burocrático. Dados da Junta Comercial de Pernambuco indicam que apenas 133 dos 184 municípios do estado fazem parte da RedeSim, a rede que visa simplificar o registro e a legalização de empresas. “Muitos municípios ainda não se adaptaram, o que atrapalha a formalização de novos negócios”, explica Priscila.
Os Jovens e a Nova Geração de Empreendedores
A pesquisa do ICL, que entrevistou 9.497 jovens, revela que 57% preferem empreender a ter um emprego convencional. O desejo por autonomia é mais forte entre os homens e indivíduos com ensino fundamental. No entanto, o estudo do Instituto Semesp indica que entre os universitários, apenas 31% aspiram abrir seus próprios negócios, caindo para 23,8% nas faculdades e 19,6% nas universidades.
A professora Paula Callado, da UPE, destaca que a realidade econômica atual impulsiona os jovens a buscar alternativas mais rápidas de trabalho, muitas vezes em funções menos qualificadas. “A nova geração é mais ousada e vê diversas possibilidades de carreira e renda”, observa.
A Necessidade de Mudanças Estruturais
Os especialistas concordam que para criar um ambiente de negócios mais dinâmico em Pernambuco, são necessárias mudanças estruturais que integrem cultura, educação e simplifiquem a burocracia. É essencial transformar o discurso sobre empreendedorismo em ações concretas que facilitem a jornada dos futuros empresários, desde a educação nas escolas até a orientação e o acesso ao crédito.
Priscila Lapa sugere políticas que conectem cidadãos aos recursos disponíveis, como capacitação prática e microcrédito, para estimular o empreendedorismo por oportunidade. Destaca também a importância de uma governança que una iniciativa pública e privada, garantindo a continuidade das políticas de incentivo.
A Nova Definição de Empreender
Por fim, Ricardo de Almeida reitera que empreender vai além de abrir um novo negócio; trata-se de uma mentalidade que deve existir dentro das empresas. “A diferença está na atitude de quem busca gerar valor e inovar, independentemente da função que ocupa”, afirma. Assim, construir um ambiente de negócios mais atrativo é uma responsabilidade compartilhada entre as corporações e o estado, visando a um futuro próspero para o empreendedorismo em Pernambuco.
