Uma Aliança Estratégica
À beira de assumir a liderança do governo de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) avalia que a possível união de Romeu Zema (Novo) com Flávio Bolsonaro (PL) à presidência pode ser um fator crucial para sua própria campanha de reeleição. Segundo Simões, tal aliança poderia “encerrar a discussão” sobre a unificação dos partidos de direita no estado. No entanto, ele admite que essa articulação transcende os limites de Minas e envolve questões nacionais.
Em entrevista à Folha, Simões, que tomará posse no cargo de governador no próximo domingo (22), revelou que pretende seguir a estratégia de Zema, focando no interior do estado. “Estou preparado para uma disputa mais acirrada em Minas, especialmente se não houver um consenso a nível nacional”, afirmou.
Compromissos com a Transparência e Desenvolvimento
Assumindo a responsabilidade de liderar o governo, Simões destacou a importância da transparência em relação aos regimes especiais de tributação, que frequentemente envolvem reduções de ICMS. Ele acredita que esses benefícios são essenciais para atrair investimentos, mas que precisam ser transparentes.
Apesar de fazer parte do PSD, cujo líder, Gilberto Kassab, possui outros planos em nível nacional, Simões se disse alinhado com as propostas de Zema, desconsiderando os possíveis candidatos de seu próprio partido, como Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite.
Desafios na Política Habitacional e Fiscal
Simões também foi questionado sobre o envio de leis orçamentárias à Assembleia Legislativa e se prevê um aumento nos investimentos para a prevenção de desastres naturais. Ele sugeriu que a privatização da Copasa, empresa estatal de saneamento, resultaria em um fundo de cerca de R$ 500 milhões, destinado à construção de macrodrenagens para evitar inundações.
Além disso, o novo governador expressou seu desejo de implementar uma política habitacional que priorize a segurança das forças de segurança pública que enfrentam condições adversas de moradia, muitas vezes em comunidades vulneráveis à criminalidade.
Transparência Fiscal e Compromisso com a Segurança
Simões, que anteriormente se manifestou contra a falta de transparência fiscal, reafirmou seu compromisso em divulgar dados sobre os regimes especiais tributários. Em um contexto onde muitos cidadãos carecem de informações claras sobre como os benefícios são distribuídos, ele prometeu que os dados seriam disponibilizados em breve.
A relação de Simões com o PL e seus deputados, especialmente aqueles ligados à segurança pública, também foi abordada. Ele argumentou que sua prioridade é a segurança e que sua ligação com a bancada não depende das alianças políticas, mas sim de uma agenda voltada para as pessoas.
Expectativas para a Aliança Política
Sobre a possibilidade de uma unificação da direita, Simões acredita que isso depende mais do cenário nacional do que de Minas. Segundo ele, a conversa com líderes locais como Cleitinho Azevedo e Nikolas Ferreira é constante, mas a decisão sobre alianças eleitorais deve ser tomada em um contexto mais amplo.
Ele também mencionou sua relação com Gilberto Kassab, que prevê um apoio a Zema em sua candidatura nacional, mesmo que o partido tenha outros planos. Simões ressaltou que a polarização política está gerando um cansaço no eleitor, e que a direita poderia ter uma chance favorável se apresentar uma candidatura que não remeta a antigos padrões de polarização.
A Confiança na Gestão de Zema
Por fim, Simões expressou sua confiança de que Zema se manterá como candidato até o final e que todos os envolvidos estarão unidos no segundo turno das eleições. A relação entre os partidos e as expectativas para a unificação da direita permanece um tema recorrente, mas Simões está focado em sua gestão e nos desafios que seu novo cargo acarreta.
Mateus Simões, 45 anos, é o novo vice-governador de Minas Gerais. Ele já ocupou cargos importantes, como secretário-geral de Governo e vereador em Belo Horizonte. Natural de Gurupi (TO), é produtor rural, advogado e professor de direito, o que lhe dá uma ampla perspectiva sobre as questões que enfrenta ao assumir a liderança do estado.
