Auditorias Confirmam a Regularidade dos Precatórios do Banco Master
O Banco Central, sob a liderança de Roberto Campos Neto, determinou a realização de duas auditorias externas nos precatórios do Banco Master, ativos financeiros que representam sentenças judiciais aguardando pagamento. Essas auditorias, realizadas pelos escritórios Galdino Advogados e KPMG, não encontraram irregularidades nos registros do banco, conforme relatado por fontes envolvidas no processo.
As auditorias surgiram em resposta a queixas de agentes de mercado sobre a suposta inexistência ou superavaliação desses ativos nas demonstrações financeiras do Master, gerido por Daniel Vorcaro. A atenção do mercado se voltava especialmente para a compra de precatórios, considerados de menor liquidez e que, posteriormente, tornaram-se foco de discussões sobre possíveis irregularidades. O balanço do banco estava basicamente concentrado em precatórios, empréstimos a empresas e certificados de recebíveis imobiliários (CRIs).
Em março de 2024, o Banco Central enviou uma solicitação ao Banco Master para que fosse elaborada uma avaliação detalhada sobre a origem e a existência dos precatórios, além de um parecer contábil que incluísse a avaliação de riscos relacionados ao recebimento desses ativos. Também foi requisitado um histórico sobre a transferência dos direitos de recebimento de precatórios.
Os dados sobre essa auditoria foram revelados no relatório da AudBancos, ligada ao Tribunal de Contas da União (TCU). O ofício, datado de 19 de março de 2024, exigia um rigoroso escrutínio do BC sobre os ativos do banco Master, conforme parte de um processo contínuo de fiscalização.
A partir do relatório do TCU, que faz parte de um inquérito que investiga as ações do Banco Central em relação ao Master, o ministro Jhonatan de Jesus decidiu suspender o julgamento do caso, aguardando novas investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre ex-dirigentes do BC que podem ter favorecido o banco durante a supervisão.
O escritório Galdino, responsável por fornecer pareceres jurídicos sobre os direitos creditórios do banco, reiterou que sua análise focou apenas nos riscos jurídicos e nas expectativas de recebimento, reforçando que essa atividade é comum entre aqueles que desejam adquirir créditos judiciais. Em resposta à Folha, a empresa esclareceu que sua avaliação foi limitada e não incluiu aspectos financeiros ou econômicos.
Por sua vez, a KPMG, que também atuou na auditoria, não encontrou problemas durante sua análise e informou que, após 2025, deixou de prestar serviços ao Banco Master devido a cláusulas de sigilo. A empresa, no entanto, se absteve de comentar sobre detalhes de sua atuação devido a questões de confidencialidade.
Até o fechamento deste artigo, tanto o Banco Central quanto Roberto Campos Neto não tinham se manifestado sobre os resultados das auditorias. Segundo o último balanço do Banco Master, datado de 31 de dezembro de 2024, a instituição possuía aproximadamente R$ 8,7 bilhões em direitos creditórios e precatórios.
A KPMG, em seu relatório sobre as demonstrações financeiras, indicou que analisou detalhadamente os aspectos formais e processuais dos ativos, além de confirmar a titularidade desses direitos através da documentação pertinente, concluindo que as avaliações realizadas eram aceitáveis.
O TCU, em um relatório de fiscalização, destacou que o Banco Central havia intensificado suas investigações sobre a composição e a qualidade dos ativos do Master, além da avaliação de risco de crédito e a real situação da carteira de precatórios. Em outubro de 2023, uma nova resolução do BC impôs restrições ao crescimento do volume desses ativos no balanço do banco, uma ação que foi considerada tardia por muitos no setor.
Após a implementação dessa resolução, o Banco Master praticamente não fez novas compras de precatórios, o que, segundo técnicos, contribuiu para a estabilização da carteira de ativos. A auditoria subsequente levou o BC a solicitar que o Master apresentasse três opções de empresas para auditoria externa, resultando na escolha do escritório Galdino.
O TCU identificou graves falhas, como a falta de registro público na cessão de precatórios, o que poderia colocar a instituição em risco jurídico significativo. Além disso, a análise da auditoria concluiu que o modelo de negócios do Master apresentava um descompasso sério entre seu ativo e passivo, refletindo uma estrutura dependente de captação de recursos de terceiros por meio de plataformas de investimentos.
Até a conclusão de 2024, o balanço patrimonial do Master mostrava ativos totais de R$ 63 bilhões, dos quais R$ 8,7 bilhões estavam relacionados a precatórios. Investigadores ainda descobriram cerca de R$ 13 bilhões enterrados em fundos de investimento, que foram utilizados na estrutura de fraudes do banco.
