Vendas em Alta no Segmento Superluxo
As vendas de imóveis superluxo, que incluem apartamentos com valor superior a R$ 4 milhões, alcançaram um crescimento impressionante de 43% em 2025, em comparação ao ano anterior. Essa informação foi divulgada pela Câmara do Mercado Imobiliário e pelo Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), em um evento realizado na sede do sindicato na manhã da última quinta-feira (12).
Embora o número total de vendas seja expressivo, o diretor do Secovi-MG, Leonardo Matos, ressalta que a proporção de unidades de alto padrão não é assim tão significativa. “Embora o crescimento tenha sido de 40%, essas vendas representam menos de 1% do total de imóveis comercializados”, observa Matos, destacando o panorama limitado da alta do mercado.
De acordo com o diretor, a valorização no segmento de superluxo está intimamente ligada à tipologia e ao valor dos imóveis, especialmente em relação aos terrenos na cidade. “Atualmente, os custos para a construção de um imóvel em Belo Horizonte exigem uma análise cuidadosa dos preços dos terrenos, dos custos de construção e dos parâmetros urbanísticos. Esses fatores limitam a oferta de novas construções e, consequentemente, elevam os preços finais, desestimulando a disponibilização de apartamentos mais acessíveis. A conta não fecha”, completa Matos.
Desempenho Geral do Mercado Imobiliário
O levantamento também trouxe dados relevantes sobre o mercado imobiliário em geral. No total, Belo Horizonte registrou a venda de 27.961 unidades em 2025, englobando lotes, casas, apartamentos, lojas, salas comerciais, galpões e vagas de garagem. Isso representa um crescimento de 1,4% em relação a 2024, quando foram comercializadas 27.576 unidades. “Esse crescimento está atrelado ao volume de imóveis vendidos, mas analisando o valor médio, o aumento foi próximo a 5%”, elucida Matos.
Embora o cenário seja promissor, o diretor destaca que este foi um dos melhores resultados desde a pandemia, que trouxe desafios significativos ao setor. “Estamos vivendo o melhor ano desde 2021 e o crescimento poderia ter sido ainda mais robusto se não fosse o impacto da alta da taxa Selic, que encareceu o financiamento imobiliário e o custo do crédito”, enfatiza.
A Queda no Segmento Econômico
Por outro lado, o segmento de apartamentos de padrão econômico, especialmente aqueles nas faixas 2 e 3 (imóveis de até R$ 350 mil), enfrentou uma queda de 20%, apesar de representar ainda a maior parte das transações, com 34,7% do total vendido. “Esse segmento ainda é responsável por 40% das transações, mas muitos compradores estão buscando opções em cidades vizinhas, onde encontram imóveis maiores e com incentivos governamentais”, analisa Matos.
No que diz respeito ao padrão econômico faixa 4 (imóveis entre R$ 350.001 e R$ 500 mil), esse segmento teve um crescimento de 4% nas vendas em 2025, alcançando 20,3% do total de transações.
Valorização dos Imóveis e Expectativas para o Futuro
O relatório também destaca que o setor residencial continuou a ser o protagonista do mercado, alcançando cerca de 90% das unidades vendidas em Belo Horizonte. Foram 20.833 vendas no segmento residencial em 2025, um leve crescimento de 1% em relação ao ano anterior, quando 20.564 unidades foram comercializadas. No mesmo período, o valor médio do metro quadrado teve um aumento significativo, passando de R$ 13,5 mil para R$ 14,3 mil, uma valorização de 6,2%. Em termos de preços, os apartamentos e casas apresentaram uma valorização média de 5%, com o preço médio saltando de R$ 636,7 mil em 2024 para R$ 662,8 mil em 2025.
A pesquisa também revelou variações significativas nos preços entre os bairros. As regiões de Belvedere, Santa Lúcia e Funcionários se destacam com o metro quadrado avaliado em R$ 27 mil. Em contrapartida, áreas como Granja de Freitas e Distrito Industrial do Jatobá apresentam os valores mais baixos, abaixo de R$ 3,5 mil por metro quadrado.
As perspectivas para 2026 foram otimistas, com especialistas acreditando que a redução da taxa Selic (atualmente em 15%) poderá impulsionar ainda mais o mercado. Espera-se um crescimento de cerca de 5% no volume de unidades vendidas, tanto em imóveis novos quanto usados.
