Uma Celebração de Liberdade e Diversidade
Embora o calendário sinalize o fim do carnaval, Campinas (SP) foi palco de uma festa liberal que atraiu cerca de 650 pessoas que celebram o sexo sem tabus. O evento, realizado em uma grande chácara, trouxe um clima de folia diferente dos tradicionais blocos carnavalescos que movimentam o Brasil, reunindo adeptos de várias regiões, incluindo Curitiba (PR) e Belo Horizonte (MG).
A localização da festa foi mantida em sigilo até o último momento, e na entrada, os participantes foram recebidos por uma equipe que cuidou da distribuição de pulseiras, identificando se eram solteiros ou casais, além de indicar a orientação sexual. Essa organização visava criar um ambiente seguro e acolhedor para todos os presentes.
Entre os participantes, destacou-se a presença de Eduarda Feliciana, de 42 anos, uma mulher trans que já atuou como obreira em uma igreja evangélica. “Eu pregava contra isso, mas hoje promovo festas de swing. A liberdade é o livre arbítrio. Cristo ama a gente de qualquer jeito”, declarou a empresária, que participou da festa em Campinas pela primeira vez e a considerou uma celebração do carnaval.
“Hoje é o último dia de carnaval. Acho que fevereiro é o mês do carnaval. E carnaval é para a gente celebrar. Nós gostamos da festa da carne”, acrescentou Duda, como é conhecida. A festa surpreendeu até os veteranos do meio liberal. Maria Augusta, conhecida como Guta, de 58 anos, viajou de Botucatu (SP) com seu marido e compartilhou suas impressões. “Aqui é a primeira vez. Já faz uns 20 anos que estamos nesse meio, meus cinco filhos sabem. Fiquei apreensiva, mas agora estou amando”, afirmou.
Ambiente Aconchegante e Estimulante
No evento, a interação começou já na entrada, onde os participantes encontraram um cenário repleto de energia. Preservativos estavam disponíveis em várias áreas, e o ambiente alegre e acolhedor fez com que muitos se sentissem à vontade. Com fantasias variadas, os frequentadores se soltaram rapidamente, independentemente da idade ou tipo de corpo.
Para animar ainda mais o público, o evento contou com atrações especiais. Um grupo de dançarinos, vestidos apenas em sungas, trouxe performances de funk e interagiu com a plateia. “A gente vem com a pegada mais do funk. Faz a performance e se rolar algo a mais, a gente vai também. O que vale é o prazer”, contou um dos dançarinos, que frequenta festas liberais há uma década.
Enquanto a música alta ecoava, o espaço se transformou, e um colchão na pista de dança se tornou o centro de atenção, onde várias pessoas se uniram em uma celebração de liberdade sexual, observadas por uma multidão animada.
Participantes de Diversas Regiões e Histórias
Entre os presentes, um casal de Curitiba revelou que o carnaval é uma parte importante de suas vidas. Eles costumam vender conteúdo para adultos e se apresentar em eventos, mas também estavam ali para se divertir. “A gente já gostava da brincadeira. Carnaval para a gente é o ano inteiro”, contaram, animados para fazer parte da festa.
Vida Alma, uma mulher de 47 anos que veio de Belo Horizonte, expressou sua alegria ao reencontrar amigos após muito tempo. “Fui embora para BH e nunca mais voltei. Estou retornando agora, após 18 anos no meio liberal”, compartilhou.
Um visitante do Peru também se juntou à celebração, animado para viver a folia que seu trabalho não permitiu durante o período do carnaval. “Eu gosto de carnaval, mas não pude aproveitar. Hoje vamos arrebentar a boca do balão”, prometeu, trazendo uma perspectiva internacional para o evento.
Um casal de Bauru (SP) defendeu a ideia de que estar no meio liberal é não se privar dos prazeres da vida. “Para a gente não tem questão de gênero, se é bonito, se é alto. A gente gosta de pessoas”, afirmou a esposa, de 42 anos, ressaltando a diversidade e a inclusão que caracterizam a festa.
