Descentralização e Fortalecimento do Ecossistema de Inovação
O governo de Minas Gerais, por intermédio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), está implementando uma reformulação significativa em seu Programa Seed. A partir da próxima segunda-feira (23), a oitava edição do programa deixará de investir diretamente em startups, direcionando seus esforços para o fortalecimento dos Ambientes Promotores de Inovação (APIs), como incubadoras, parques tecnológicos e hubs.
Com um investimento total de R$ 15 milhões, a iniciativa pretende fomentar o ecossistema de inovação em todas as 12 mesorregiões do estado. A descentralização dos investimentos visa gerar um impacto maior na integração dos ambientes inovadores pelo território mineiro, promovendo o surgimento de novos polos de tecnologia e inovação.
A diretora de Inovação para o Setor Produtivo da Sede-MG, Ana Flávia Menezes, enfatiza que o Seed se consolida como uma das principais iniciativas para o setor no Brasil. Com a nova abordagem, será possível que propostas sejam apresentadas individualmente ou em arranjos, permitindo que os selecionados recebam recursos tanto para o programa de inovação quanto para a execução do processo de aceleração.
“Uma das grandes inovações é a busca por descentralizar a política pública em diferentes regiões”, explica Ana Flávia. “A proposta é estabelecer um ambiente em cada mesorregião, onde projetos podem ser submetidos de forma individual ou em colaboração com incubadoras e aceleradoras. Idealmente, queremos que parcerias sejam formadas para apresentar propostas mais robustas”, detalha a gestora.
Diversificação e Democratização da Inovação
A mudança na abordagem do edital está alinhada às diretrizes da gestão estadual para democratizar o acesso à tecnologia e inovação. Enquanto edições anteriores priorizavam o apoio a iniciativas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a nova edição do Seed busca disseminar a cultura da inovação pelo interior do estado, atendendo a demandas específicas de cada região.
Além da Região Metropolitana, outras áreas promotoras de inovação também deverão ser contempladas de forma equitativa. Entre as regiões com maior potencial, a diretora destaca o Triângulo Mineiro e a Zona da Mata. “O ecossistema dessas localidades é forte, e temos expectativas de receber propostas bem estruturadas que atendam às vocações locais”, conclui.
Novo Modelo de Financiamento e Parcerias
Na oitava edição, os recursos disponíveis pelo governo de Minas Gerais não serão mais repassados diretamente às startups. Em vez disso, o financiamento se destinará aos ambientes promotores de inovação, que terão a responsabilidade de selecionar os projetos e redistribuir os recursos aos grupos escolhidos.
A expectativa, conforme Ana Flávia, é fortalecer as iniciativas locais, ampliar o número de startups beneficiadas e intensificar a conexão entre atores regionais e estaduais. Os valores de financiamento serão escalonados de acordo com a força da parceria estabelecida: propostas individuais poderão receber até R$ 600 mil; arranjos com um ou dois parceiros terão acesso a aportes de até R$ 1,2 milhão; enquanto arranjos com três ou mais parceiros poderão receber investimentos que superam R$ 1,6 milhão.
Embora propostas individuais ainda sejam aceitas, a gestora ressalta que projetos apresentados em conjunto com diferentes aceleradoras e incubadoras terão pontuação adicional durante a seleção. Essa estratégia visa criar propostas mais robustas e fortalecer a colaboração entre os participantes do ecossistema.
O novo modelo estabelece que os ambientes promotores escolhidos serão responsáveis pela gestão dos recursos e pela elaboração de seus próprios editais para atrair startups. O processo será dividido em duas etapas principais: a primeira incluirá capacitação sem repasse financeiro e a segunda contemplará as startups selecionadas, que receberão o aporte de capital necessário para o desenvolvimento de suas iniciativas.
