Recursos e Iniciativas para Fomentar a Inovação
Minas Gerais vive um momento ímpar em sua trajetória, especialmente no que diz respeito ao incentivo à inovação. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) destaca-se, atualmente, por receber um repasse constitucional de 1% da receita corrente ordinária do Estado, um reflexo de um cenário de “vacas gordas”. Em 2024, a Fapemig foi responsável por 41% do investimento em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no estado, superando até mesmo agências federais como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em território mineiro.
No primeiro semestre deste ano, o foco recai sobre o Seed (Desenvolvimento de Ecossistemas de Startups e Empreendedorismo), que visa descentralizar a aceleração de startups em 12 mesorregiões, permitindo que os ambientes de inovação administrem recursos de até R$ 100 mil por startup. Outra novidade é o edital Minas Pelo Clima, que busca soluções tecnológicas voltadas para desafios ambientais do Estado, oferecendo subvenção econômica em um modelo de “dinheiro a fundo perdido”, que não precisa ser devolvido, mas exige rigorosa responsabilidade pública.
Ecossistema de Inovação Robusto
Minas Gerais é um dos estados mais bem posicionados para atender aos editais federais, graças ao seu robusto ecossistema de inovação. O estado abriga o maior número de universidades federais do Brasil, com 11 instituições, além de 14 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e dois centros de competência vinculados à Embrapii, consolidando-se como o segundo estado do país com maior número de unidades Embrapii. Juntamente com as duas universidades estaduais, a Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg) e a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), e diversas instituições de pesquisa privadas, Minas se projeta como um polo estratégico de conhecimento.
A diretora de Fomento à Inovação do Órbi ICT, Janayna Bhering, enfatiza a importância de as empresas estarem atentas aos prazos e requisitos dos editais. “Por ser um ano eleitoral, elas devem agir rapidamente. Quem chega primeiro, bebe a água limpa. Os principais editais abertos são federais. O papel do governo é incentivar as etapas de maior risco tecnológico dos projetos, possibilitando que as empresas se sintam mais seguras em relação a esses riscos. São oportunidades valiosas para aumentar a competitividade, atuando na vanguarda do conhecimento”, ressalta Bhering.
Órbi ICT: Laboratório Urbano para a Inovação
O Órbi ICT se posiciona como um agente crucial na articulação de pesquisa aplicada, capacitação de talentos e desenvolvimento de soluções que impulsionam a inovação em Belo Horizonte. Desde sua fundação, em 2017, por Inter, MRV&Co e Localiza&Co, o Órbi evoluiu para um modelo que integra três frentes estratégicas: Educação, Fomento à Inovação e Território & Impacto. Localizado no bairro Lagoinha, na região Noroeste, o Órbi atua como um laboratório urbano vivo, conectando diferentes atores para transformar desafios reais em oportunidades inovadoras.
Uma das funções das Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) é auxiliar pequenas empresas na criação de projetos que atendam às exigências dos editais, tanto em conteúdo quanto em forma. “As empresas estão começando a perceber que essa possibilidade existe, que os recursos estão disponíveis, mas precisam estar preparadas. O ambiente é favorável e o ecossistema é maduro. No entanto, a maturidade das empresas ainda é um desafio. Muitas desconhecem as oportunidades de fomento ou pensam que não se aplicam a elas. Existe uma falta de informação e domínio da linguagem técnica, além da escassez de tempo. Por exemplo, muitos editais exigem que as empresas tenham mestres ou doutores em suas equipes, o que pode ser uma barreira”, explica Bhering.
Inovação e Atração de Investimentos
Para transformar esse potencial em resultados concretos, o governo criou iniciativas inovadoras, como o Compete Minas e o Come to Minas, que visam atrair centros de Pesquisa e Desenvolvimento de empresas externas para Minas, garantindo a empregabilidade da mão de obra qualificada que as instituições locais formam. O objetivo é utilizar a qualificação da mão de obra como diferencial competitivo para atrair investimentos, especialmente em um contexto em que a reforma tributária pode tornar os incentivos fiscais mais escassos e menos eficazes.
A diretora de Fomento à Inovação do Órbi ICT enfatiza que a forma de trabalhar hoje é muito distinta do que era há 20 anos. “Cada pessoa deve reconhecer suas habilidades, e as empresas devem entender suas necessidades. A inovação aberta é uma excelente maneira de capacitar os indivíduos. O governo tem estruturado isso por meio dos editais. A Finep, por exemplo, exige parceria com uma ICT. Hoje, as empresas precisam ter planos de curto e curtíssimo prazo, pois os ciclos tecnológicos estão cada vez mais encurtados”, conclui Bhering.
Parcerias para o Fortalecimento da Inovação
No intuito de fortalecer Belo Horizonte e Minas Gerais como um hub de tecnologia e inovação, em abril foi assinado um acordo de cooperação técnica entre a Fundação Dom Cabral e o Órbi ICT. Segundo Sabrina Oliveira, diretora de Educação do Órbi ICT, a grande inovação dessa colaboração reside na combinação de ativos complementares. De um lado, a excelência acadêmica e a capacidade de formar líderes da FDC, e, do outro, a vocação do Órbi ICT como um ambiente de inovação aberta, integrando startups, grandes empresas, investidores e pesquisadores.
“A educação é fundamental para qualquer transformação sustentável de um território ou de um país. A tecnologia, como a IA generativa, não é apenas um diferencial, mas uma linguagem. Ampliar e coconstruir uma metodologia com base nas demandas sociais e do mercado, tendo como foco central a formação de pensadores críticos e analíticos, é essencial para tomadas de decisão em contextos cada vez mais complexos, gerando valor e impacto real”, finaliza Sabrina Oliveira.
