A Relevância das Mulheres Negras na Ciência
O racismo, infelizmente, se manifesta em diversas esferas da sociedade, atingindo com força o corpo negro. Este cenário também se reflete nas áreas da ciência e da tecnologia. Para enfrentar essa realidade discriminatória, o movimento negro tem se esforçado ao longo dos anos, buscando ocupar espaços importantes e desafiando a manutenção dos privilégios brancos.
No mês dedicado às mulheres, é crucial discutir a contribuição das mulheres negras nas ciências e na tecnologia, considerando suas lutas antirracistas e aumentando a visibilidade das questões étnico-raciais. Um levantamento da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) indica que, entre 2014 e 2017, o Brasil produziu cerca de 53,3 mil artigos científicos, dos quais 72% foram assinados por pesquisadoras. Mais recentemente, uma pesquisa da agência Bori revelou que, em 2022, 49% das publicações acadêmicas no país foram elaboradas por cientistas mulheres.
Evento sobre Mulheres Negras na Ciência e Tecnologia
Um evento relevante ocorrerá na próxima quinta-feira, 12 de março de 2026. A professora e doutora em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Mory Marcia de Oliveira Lobo, irá abordar a presença das mulheres negras na ciência e em espaços tecnológicos. A palestra será transmitida a partir das 17h30, e trará um panorama da pesquisa e desenvolvimento acadêmico sobre o tema, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos (IHU).
No seu artigo, intitulado “Mulheres Negras nas Ciências: Desvelando Percursos em Prol da Diversidade”, que co-autora com Cristiano Maciel, Mory Lobo enfatiza o avanço da inserção de mulheres negras nas ciências, embora ainda enfrentem desafios de sub-representação em áreas predominantemente masculinas.
“É inegável o movimento de inserção de mulheres negras nas ciências, ainda que sub-representadas em cenários e em áreas sistematicamente ocupadas por homens”, observa Lobo, destacando o papel dessas profissionais na construção de um ambiente acadêmico mais diversificado.
Histórico e Contribuições
A pesquisadora ressalta que, na década de 1980, as mulheres negras começaram a ganhar destaque, influenciadas por um contexto de luta e resistência. Já em 2000, surgiram discussões significativas sobre diversidade étnica no Brasil, o que possibilitou a visibilidade de importantes pesquisadoras como Sueli Carneiro, que abordou a Equidade Racial; Nilma Lino Gomes, que se debruçou sobre Identidade e Descolonização do Conhecimento; e Eliane Cavalleiro, que focou na Educação Antirracista.
Atualmente, o cenário científico brasileiro está se transformando. Revistas acadêmicas e acervos de dissertações e teses, disponíveis em instituições como a Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPED) e a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN), estão se tornando fontes valiosas para a promoção e preservação das pesquisas desenvolvidas por mulheres negras.
Informações sobre o Evento
O quê: “Mulheres Negras na Ciência, Computação e Tecnologia: Outros Movimentos e Identidades Epistêmicas”
Quando: 12 de março de 2026, às 17h30.
Quem: Mory Marcia de Oliveira Lobo, doutora em Educação pelo PPGE/UFMT, pedagoga e mestra em Educação pela mesma instituição. Mory também participa do projeto Meninas Digitais de Mato Grosso, desenvolvendo pesquisa em gênero, raça e tecnologias no Laboratório de Estudos em Tecnologias e Comunicação na Educação (LêTece).
Onde assistir: www.ihu.unisinos | Canal do YouTube do IHU | Página do Facebook do IHU
Inscrição: https://www.ihu.unisinos.br/evento/ihu-ideias
