Copasa e o Novo Horizonte na Privatização
A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) anunciou, no último dia 26, a extensão do contrato com a prefeitura de Belo Horizonte até o ano de 2073. Essa renegociação, que era vista como um dos principais obstáculos financeiros à venda da estatal, agora caminhou para sua etapa final, segundo informações de fontes próximas ao processo. Os potenciais investidores que desejam se tornar parceiros estratégicos na desestatização da empresa deverão apresentar garantias que assegurem os recursos necessários para aquisição de 30% da companhia, um montante estimado em aproximadamente R$ 6,5 bilhões.
A expectativa é que empresas como Acciona, Aegea, Perfin, Veolia e Sabesp, esta última participando junto à Equatorial, apresentem a carta de fiança exigida. A Sabesp já manifestou interesse na Copasa e estava aguardando a resolução do contrato de Belo Horizonte, o principal cliente da empresa, para finalizar sua decisão.
Aprovação do Tribunal de Contas é Crucial
Para avançar na privatização, o governo de Minas Gerais ainda precisa da aprovação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que requisitou esclarecimentos sobre diversos aspectos financeiros e operacionais relacionados à venda.
De acordo com analistas do Banco Safra, incluindo Carolina Carneiro, Daniel Travitzky e Ricardo Bello, a privatização da Copasa parece agora mais factível. Em relatório recente, eles afirmaram que a assinatura do novo contrato com Belo Horizonte reduz significativamente os riscos envolvidos na oferta.
Acordo Servirá de Referência para Outros Municípios
Em um comunicado relevante, a Copasa informou que o contrato com a cidade foi estendido até 7 de fevereiro de 2073, visando a continuidade e a universalização dos serviços de saneamento. O acordo inclui um repasse de R$ 1,3 bilhão para o município entre os anos de 2026 e 2028.
Esse novo contrato com Belo Horizonte deverá servir como modelo para futuras renovações com outras cidades de Minas Gerais. O CEO da Sabesp, Carlos Piani, destacou que a definição deste contrato é “crítica” para a avaliação do negócio.
Expectativas de Mercado para a Privatização
A privatização da Copasa está projetada para movimentar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões, conforme relatórios de mercado. A oferta será secundária, com o governo mineiro, que atualmente possui 50,03% da empresa, vendendo uma parte significativa de suas ações. Assim, a participação do Estado poderá ser reduzida para apenas 5%. A expectativa é que o processo de venda ocorra entre abril e maio para não coincidir com o calendário eleitoral.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que recentemente deixou o cargo para concorrer à presidência da República, afirmou que os recursos obtidos com a privatização serão utilizados para saldar dívidas do Estado com a União.
