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Soraya Soubhi Smaili teve seu primeiro contato com a ciência ainda na infância, quando, aos dez anos, montou um microscópio a partir de peças de uma coleção de fascículos. ‘A curiosidade pelo mundo microscópico me fez perceber que a ciência é como um cérebro decodificando estruturas’, explica a professora titular da Escola Paulista de Medicina da universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Com formação em Farmácia-Bioquímica pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado em Farmacologia pela Unifesp, Soraya se destaca na área de microscopia de organismos vivos, coordenando pesquisas sobre câncer, morte celular e doenças neurodegenerativas.
A trajetória de Soraya na academia não se limita à pesquisa. A professora foi uma das figuras fundamentais na transformação da Escola Paulista de Medicina em uma universidade em 1994 e tornou-se a primeira mulher reitora da Unifesp, cargo que ocupou até 2021. Atualmente, coordena o Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência), que busca fortalecer a conexão entre ciência e sociedade.
O Papel da Mulher na Ciência
Durante uma entrevista realizada no Sesc Vila Mariana, Soraya compartilhou suas experiências na pesquisa, gestão universitária, a presença feminina na ciência e a importância da divulgação científica, especialmente em tempos de desinformação. A professora relembrou sua infância em uma família de imigrantes libaneses que trabalhavam no comércio e como os fascículos científicos despertaram seu interesse pela ciência. ‘A Farmacologia me cativou durante a faculdade e, com a iniciação científica, percebi que a pesquisa poderia ser uma carreira promissora’, conta.
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Soraya relaciona sua pesquisa sobre morte celular e neurodegeneração com o desenvolvimento de tratamentos para doenças como câncer, Parkinson e Alzheimer. ‘A biologia celular é fundamental, pois cada célula tem seu ciclo de vida e morte. Conhecer esses processos é crucial para entender como podemos desenvolver novos fármacos’, explica. A professora também destaca a importância da incorporação de conhecimentos tradicionais na pesquisa farmacológica, lembrando que muitos princípios ativos de medicamentos têm origem na sabedoria popular.
Desafios da Gestão Acadêmica
Como reitora, Soraya enfrentou o desafio de reorganizar a universidade em um período de grande expansão. ‘Era crucial garantir a autonomia e a qualidade da produção de conhecimento. Conseguimos implementar reformas administrativas e criar uma cultura de planejamento’, ressalta. Além disso, a professora enfatiza a importância da presença feminina na gestão acadêmica, dizendo que, durante sua gestão, 70% dos cargos de liderança passaram a ser ocupados por mulheres, promovendo uma mudança significativa na estrutura da universidade.
O Futuro da Ciência e da educação no Brasil
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Coordenação do SoU_Ciência permitiu a Soraya contribuir para a produção de conhecimento e políticas públicas durante a pandemia de covid-19. ‘O centro visa favorecer a disseminação de informações de qualidade e a compreensão da opinião pública’, afirma. A professora alerta sobre a percepção pública da ciência e a necessidade de uma educação científica sólida, que promova a curiosidade e o entendimento dos métodos científicos. ‘A ciência não é uma questão de opinião, mas um conjunto de evidências que deve ser institucionalizado’, observa.
Promovendo a Conexão entre Ciência e Sociedade
Para Soraya, é essencial que iniciativas como a campanha “Remédio: não usou, descartou!” conectem diferentes setores da sociedade e promovam a conscientização sobre saúde e meio ambiente. ‘Quando unimos forças entre universidades, organizações sociais e o governo, conseguimos um ecossistema de informação e desenvolvimento que beneficia a população’, conclui. Sua trajetória revela a importância da liderança feminina na ciência e a necessidade de fortalecer a pesquisa e a educação para um futuro mais desenvolvido e sustentável no Brasil.
