Entenda as Novas Regras para a Internação Involuntária em BH
A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, na última quarta-feira (11), em segundo turno, um projeto de lei que regulamenta a internação involuntária de dependentes químicos na rede de saúde da cidade. A proposta, que provocou intensos debates entre vereadores, especialistas e movimentos sociais, recebeu 29 votos a favor e nove contra, após várias discussões e ajustes feitos na versão original.
Com a aprovação, agora cabe ao prefeito Álvaro Damião (União Brasil) decidir se sanciona ou veta o texto. A nova legislação pretende estabelecer critérios e procedimentos para o tratamento de usuários de drogas, incluindo disposições sobre a internação involuntária.
Na sequência, você confere alguns dos principais aspectos abordados pela lei aprovada pelos vereadores, que inclui desde a definição do que é a internação involuntária até quem pode solicitar esse tipo de tratamento.
O que é a internação involuntária?
A internação involuntária refere-se à situação em que um paciente é hospitalizado sem seu consentimento. De acordo com o projeto, essa modalidade de internação só poderá ser realizada com autorização médica e em conformidade com protocolos clínicos estabelecidos. O texto enfatiza que essa medida pode ser aplicada em casos em que há risco à integridade física do paciente ou de terceiros.
Polêmica em torno da proposta
A votação da proposta não ocorreu sem controvérsias. Durante as discussões, movimentos sociais que representam a população em situação de rua e grupos defensores da saúde mental se manifestaram fortemente contra a ideia. Eles alegam que a internação involuntária pode infringir direitos humanos e que a questão deveria ser abordada por meio de uma legislação federal mais abrangente.
Por outro lado, o vereador Braulio Lara (Novo), autor da proposta, defende que a medida visa proporcionar um acesso mais facilitado ao tratamento para pessoas que, por diversos motivos, perderam a capacidade de buscar ajuda por conta própria.
A proposta já está em vigor?
Não. A nova legislação ainda precisa ser sancionada pelo prefeito, e não há uma data definida para que isso ocorra. Somente após essa sanção o texto poderá entrar em vigor.
Quem tem o direito de solicitar a internação involuntária?
O projeto determina que a solicitação de internação involuntária pode ser feita por familiares ou representantes legais do paciente. Na ausência de familiares, profissionais da saúde pública ou assistentes sociais também têm permissão para fazer a solicitação. A equipe médica é responsável por avaliar a situação do paciente, levando em consideração o tipo de substância consumida e o padrão de uso.
Além disso, os familiares têm o direito de solicitar a interrupção do tratamento a qualquer momento, caso acreditem que essa é a melhor decisão.
O tratamento deve ser sempre feito por internação?
O texto destaca que o tratamento de dependentes químicos deve ser preferencialmente ambulatorial, isto é, realizado sem a necessidade de internação. A internação apenas será considerada quando todas as outras alternativas terapêuticas da rede pública não forem adequadas para o caso.
Qual é o prazo máximo para a internação?
Uma das emendas aprovadas estipula que a internação involuntária pode ter uma duração máxima de 90 dias. Essa alternativa deve ser utilizada somente após esgotadas as opções de tratamento ambulatorial.
Como funciona a alta do paciente?
Para os pacientes internados voluntariamente, a alta pode ser solicitada pelo próprio paciente ou determinada por decisão médica. No entanto, no caso de internação involuntária, a alta deve ser autorizada exclusivamente pela equipe médica responsável pelo tratamento.
Quem realiza a fiscalização das internações?
Todas as internações e altas devem ser notificadas em até 72 horas para órgãos de fiscalização como o Ministério Público e a Defensoria Pública. Isso será feito por meio de um sistema informatizado, conforme previsto na legislação federal relacionada ao uso de drogas.
Alterações em relação ao texto original
O projeto passou por diversas emendas durante sua tramitação na Câmara, o que resultou em mudanças significativas em relação à versão proposta inicialmente. Essas alterações visam aprimorar o atendimento e a proteção dos direitos dos usuários de drogas na capital mineira.
