Vínculos Financeiros Revelados em Investigação
A irmã de Castellar Neto, suplente do senador Carlos Viana e atual presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, está envolvida em um escândalo financeiro. Carolina Modesto Guimarães, empresária e advogada, teria recebido transferências significativas de uma empresa de fachada, que segundo investigações, foi utilizada para inflar o patrimônio do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atualmente preso.
Os dados, que foram revelados em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mostram que a clínica médica mencionada na apuração transferiu para a irmã do ex-senador um total de R$ 519.547,00, distribuídos em 43 transações. Esses valores foram enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, gerando um alerta sobre a origem dos recursos.
A ligação de Carolina com a empresa de fachada, aberta por um “laranja” que seria um bode expiatório no esquema, levanta questões importantes sobre a ética e a legalidade das movimentações financeiras nas quais está inserida. Castellar Neto, irmão de Carolina, assumiu o mandato de senador em 2024, sucedendo Viana, que se licenciou para concorrer à prefeitura de Belo Horizonte.
Análise de Movimentação Financeira
O Coaf examinou a movimentação financeira da Clínica Mais Médicos entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. Durante esse período, os registros mostraram que as entradas e saídas da clínica quase se equilibraram, totalizando R$ 508.424.572,75 em créditos e R$ 508.424.571,75 em débitos.
Entre as operações mais significativas, destacou-se a recepção de R$ 366 milhões do Fundo City, vinculado ao Banco Master. Além disso, a clínica fez repasses para outros fundos, como o Astralo 95, gerido pela Reag, com um valor de R$ 67 milhões, e para o Fundo Duas Rodas, administrado pela Sefer, que recebeu R$ 2,4 milhões. Ambas as gestoras estão sob investigação da Polícia Federal (PF) em relação às operações de Vorcaro.
A Clínica e Seus Donos
A Clínica Mais Médicos foi criada em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, em 2018 e registrada no nome de uma mulher que, durante a pandemia de Covid-19, recorreu ao auxílio emergencial. Essa situação levantou alertas sobre a possibilidade de a clínica ser uma “laranja” em um esquema mais amplo de lavagem de dinheiro, como constatou uma inspeção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A gravidade das investigações em torno da clínica e das relações financeiras de Carolina Modesto Guimarães não apenas suscita perguntas sobre a legalidade das operações, mas também lança uma sombra sobre a imagem pública da família de Castellar Neto. Com o cenário político em ebulição e a CPMI do INSS à frente das apurações, novos desdobramentos podem surgir a qualquer momento, impactando a opinião pública e a credibilidade das instituições envolvidas.
