O Encontro de Sabores entre Brasil e China
A gastronomia de Belo Horizonte está fazendo história na China, especialmente na feira International Cities of Gastronomy 2026. Vitor Velloso, um dos proprietários do Pirex, inaugurado em 2021, descreve a experiência como “semelhante a ser convocado para jogar uma Copa do Mundo”. O Pirex trouxe uma fusão dos pratos clássicos do famoso bar Galeria São Vicente, localizado na Rua Raul Soares, com um toque asiático.
Velloso explica que a proposta foi adaptar as receitas aos gostos locais. Por exemplo, o bolovo foi incrementado com uma marinada de shoyu, típica da culinária asiática. Além disso, o pão de queijo, tradicional de Minas Gerais, ganhou um toque especial com gergelim e doce de leite, criando um contraste interessante entre o salgado e o doce.
Macau, assim como o Brasil, possui raízes portuguesas e, segundo Velloso, essa herança cultural se reflete nas calçadas de pedras portuguesas e na nomenclatura das ruas. “Às vezes, é fácil esquecer que estamos tão longe do Brasil, pois as semelhanças são evidentes, inclusive na gastronomia”, compartilha o empresário, ressaltando que a principal diferença entre as duas culturas culinárias está na intensidade de tempero, especialmente na picância.
Nos últimos dias, ao abrir o estande, Velloso se deparou com uma fila de pessoas ansiosas para experimentar o pão de queijo, a moela e o bolovo. “Estamos tendo dificuldades para atender toda a demanda, mas isso tem gerado muita alegria e trabalho para nossa equipe”, revela.
Tradicionalismo e Inovação no Café Palhares
André Palhares, representando a terceira geração do icônico Café Palhares, fundado em 1938, também está presente na feira. O café é famoso pelo seu prato, o KAOL, que não pôde ser levado por ser muito elaborado. Em vez disso, foram selecionados três delícias: o pudim de leite condensado, que tem se mostrado um sucesso, o sanduíche de pernil e o bolinho de carne, conhecido como “prexeca”.
“Optamos pelo sanduíche de porco, que agrada muito ao público de Macau, e adaptamos o prexeca, trocando a carne bovina por um blend de porco, para atender ao gosto local e fazer uma homenagem à linguiça do KAOL, que é feita diariamente”, explica Palhares.
O clima na feira, segundo André, é de celebração e troca cultural. “A interação é muito forte, especialmente entre os latino-americanos. Ao final dos dias, é comum ver colegas da região se reunindo para tomar uma cerveja e compartilhar experiências”, acrescenta. Embora haja a presença de outros países, como China, Tailândia e Benin, a conexão entre brasileiros e latino-americanos se destaca pela facilidade de comunicação.
O Impacto da Gastronomia Belo-Horizontina
Na abertura da feira, a culinária de Belo Horizonte chamou a atenção, com pratos esgotando rapidamente. “O tempero característico e a abordagem calorosa de interação com os visitantes foram fundamentais para o sucesso, com muitos pratos se esgotando antes do fechamento diário do evento”, observa um dos organizadores. A feira, que começou no dia 20 de março, se estende até o próximo domingo, dia 30.
A participação de Belo Horizonte na feira não apenas promove a rica culinária mineira, mas também solidifica o intercâmbio cultural entre Brasil e China, mostrando que, apesar da distância, a gastronomia é uma ponte que une diferentes povos por meio do sabor e da tradição.
